segunda-feira, 21 set 2020
Publicidade

Governo sai para pular Carnaval sem base aliada e sem votos para Previdência

Quem pensa que a insatisfação com o governo Jair Bolsonaro (PSL) resume-se apenas a deputados da oposição está redondamente enganado. A gestão presidencial vem sendo implodida de dentro para fora, por enquanto sem bombardeio substancial da oposição. Na noite desta terça-feira (26) aliados reclamaram ao presidente sobre uma queixa comum que ocorria também na articulação política da ex-presidente Dilma Rousseff (PT): de não estarem sendo recebidos por ministros e do atraso na liberação de emendas.

O resultado de tamanha insatisfação com a articulação política do Planalto não poderia ser outra: o caos.

Em reservado, líderes da base disseram ao blog que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defende que a Reforma da Previdência só deve tramitar mesmo em paralelo ao texto dos militares. Como a partir desta quarta o Congresso já entra em ritmo de carnaval, deputados só devem aparecer para bater ponto e correr para o Aeroporto de Brasília, a previsão é que os trabalhos voltem à normalidade em 12 de março.

Com dois meses incompletos a nova gestão acumula série de recuos que tem desgastado a relação política no Congresso, como a polêmica do ministro da Educação, Ricardo Vélez, tentando filmar crianças em escolas com o slogan de campanha do presidente, a demissão de Gustavo Bebianno, ou mesmo a derrota do governo no decreto sobre sigilo a documentos, apenas para citar os casos mais recentes.

Cresce no mercado a preocupação com o tamanho da base do governo na Câmara. O governo está saindo para pular carnaval com uma base enxuta na Câmara: 54 deputados, todos do PSL. E só.

Para tentar melhorar o clima no Congresso o presidente confiou a Rodrigo Maia o papel de articulador-chefe da Previdência. Deputados têm elogiado a habilidade de Maia no cumprimento da tarefa. Tentando mostrar alguma reação política o Planalto confirmou o nome de Joice Hasselmann (PSL) como líder do Governo no Congresso a fim de ajudar Maia na árdua tarefa de organizar a base. Se dará certo ou não as águas de março irão dizer.

George Marques
George Marques
Jornalista e Relações Públicas pela Faculdade JK de Brasília. É também especialista em comunicação pública e comunicação política no legislativo, tendo já sido indicado ao Prêmio Comunique-se de Jornalismo Político. Já trabalhou na cobertura de política para o site The Intercept Brasil e Metrópoles. É colunista da Fórum.