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06 de abril de 2019, 06h00

José Dirceu diz que Bolsonaro não é Collor e questiona relação de milícias com família do presidente

José Dirceu elogia deputados da CCJ que tiveram embate com Paulo Guedes na última quarta, diz que Bolsonaro não é Collor e considera "grave" proximidade das milícias com família do presidente Jair Bolsonaro

José Dirceu (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Na passagem por Brasília para lançar um livro de memórias, na última quinta-feira (4) o ex-ministro e homem forte de Lula José Dirceu costurou alguns comentários sobre o atual cenário político brasileiro. Segundo contou a presentes em encontro no Círculo Operário do Cruzeiro, região administrativa da Capital, ao atacar universidades e a imprensa o governo de Jair Bolsonaro (PSL) busca atingir o pluralismo e a diversidade do Brasil. Para ele a proximidade do clã Bolsonaro com milícias é “grave” e o país corre sério risco de seguir por um viés autoritário.

“Imagina se fosse nós que tivéssemos o que tem a família Bolsonaro, tanto ao [caso] Queiroz, os laranjas? Fora a questão das milícias, que é o mais grave, sumiram com o assunto, porque se for a fundo acaba que nem outros que acabaram”, avaliou o ex-ministro.

Aos presentes na noite Dirceu disse que é questão de tempo para setores da elite brasileira e da “grande” imprensa abandonarem Bolsonaro. “Daqui a pouco vamos ter que defender o Supremo e a Globo. Estou falando algum absurdo? Daqui a pouco vamos defender a Folha de S. Paulo. Os porta-vozes dele escrevem ‘a imprensa é nossa inimiga’, basta olhar nos tuítes que saem do Palácio do Planalto”.

Aos 73 anos Dirceu mostra energia para expor as fragilidades do governo Bolsonaro, apesar de carregar as chagas de três condenações: no mensalão em 2012; em 2016 por esquema de corrupção na Petrobrás, além de outra na Operação Lava Jato a 11 anos e três meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Meu garoto

Dirceu elogiou as intervenções de Alessandro Molon (PSB-RJ), Reginaldo Lopes (PT-MG), e, principalmente, de seu filho, Zeca Dirceu (PT-PR). Na última quarta na CCJ a audiência foi encerrada após Zeca Dirceu dizer a Paulo Guedes que contra aposentados e trabalhadores o ministro agia como “tigrão”, mas como uma “tchutchuca” quando se tratava da “turma mais privilegiada do país”.

“Nas intervenções eles demonstraram a falácia em torno reforma da Previdência.” No Cruzeiro o ex-ministro comparou a solução dada pelo Japão à Previdência, que criou um imposto para financiar as aposentadorias. “E meu filho falou da reforma Tributária, se fizer uma reforma para isentar até o teto da Previdência e cobrar imposto de renda, como é feito nos EUA, você arrecada 120 bilhões de reais”, advogou.

Bolsonaro não é Collor

“Eu sempre disse que o Collor tem um pouco de Jânio, que tem um pouco de Collor, mas não nos iludamos, ele [Bolsonaro] não é nenhum dos dois”. Para Dirceu o que diferencia Jair Bolsonaro dos demais é que o ex-capitão tem na retaguarda as Forças Armadas [na figura do General Heleno], o capital financeiro bancário e empresas internacionais, além do aparato policial representado pelo ministro da Justiça Sérgio Moro.

E Hamilton Mourão, o vice?

Reserva de mercado

Dirceu critica o monopólio da imprensa no Brasil, dominada hoje por três famílias, de acordo com ele. “Agora, com as redes esse monopólio vai acabar. Porque esse setor da imprensa é o único que tem reserva de mercado. A tecnologia resolveu nosso problema. Tiveram a ousadia de ir ao Supremo para impedir que o El País tivesse um jornal no Brasil”.

PT quase leva em 2018

O ex-ministro diz que por pouco o PT não levou a eleição de 2018. “Não era impossível ganhar. Nós perdemos porque não tínhamos força política organizada. E quanto a isso não pode criticar os evangélicos, porque eles têm todo o direito de se organizar.”

Setembro é logo ali

Para Dirceu a situação do país é grave, mas há, segundo sua análise, luz no fim do túnel. “Nós estamos no Outono, vem o inverno e logo após a primavera, setembro é logo ali. Ou seja, haverá luta nesse país com os estudantes e as mulheres na vanguarda.”

Partido sem partido

“Quando eles falam Escola Sem Partido, amanhã é literatura sem partido, pintura sem partido, teatro sem partido e partido sem partido. Vai ficar só o deles”, profetizou.

A chama Lula

Dirceu acredita que a chama “Lula Livre” terá um caráter de massa quando engrossar a oposição ao governo Bolsonaro. “O carnaval não foi uma palavra de ordem contra a Previdência, mas sim um ‘não se meta na minha liberdade’. Não devemos embarcar nessa de ‘Fora Bolsonaro’, temos é que lutar contra a Previdência, falar com a sociedade, dialogar com as pessoas.


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