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31 de Maio de 2019, 15h54

Líderes no Congresso avaliam que MEC é foco da crise e deu gás às manifestações de rua

Parlamentares dizem que os atos foram "fortes", "acima do esperado" e significam mais uma derrota da gestão presidencial antes mesmo de completar seis meses

Foto: Reprodução/Mídia Ninja

Manifestantes voltaram às ruas pela segunda vez neste mês em protesto contra o bloqueio de verbas para a educação no país anunciado pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). De acordo com líderes da oposição ouvidos pelo blog, os atos foram “fortes“, “acima do esperado” e significam mais uma derrota da gestão presidencial antes mesmo de completar seis meses.

“As declarações do Ministro descabidas acirram mais ainda o ambiente. O clima é de revolta no meio estudantil”, avaliou o vice-líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE). Para o congressista o deboche do ministro com o vídeo “onde chovem fake news” levou com mais força estudantes às ruas. “O MEC hoje é foco de crise permanente. Vai surgir logo logo um movimento FORA”, analisou.

Ivan Valente, líder do PSOL na Câmara, diz que os protestos dessa quinta mostram que as forças progressistas e populares têm assumido um protagonismo nas ruas mais intenso do que os setores que apoiam Bolsonaro.

“Mostram ainda uma crítica contundente ao governo e suas medidas autoritárias, recessivas e que subtraem direitos dos trabalhadores. Acumulam também para fortalecer a construção da Greve Geral do dia 14/06”, relembrou.

O Ministério da Educação, em nota divulgada nas redes sociais, pediu à população que denunciasse professores, servidores, funcionários públicos, alunos e pais que promovessem manifestações em horário escolar.

Na véspera, o ministro Abraham Weintraub havia dito que estudantes estavam sendo coagidos por professores a protestar.

O líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), entrou com representação na Câmara contra o ministro para que ele explique a decisão e classificou como “absurda” a tentativa de Weintraub de intimidar a população.

“É uma absurda tentativa de cerceamento da liberdade de expressão no nosso país. O Brasil é uma democracia e nós não abriremos mão de proteger os direitos fundamentais de todos os brasileiros e brasileiras. Por isso, estamos propondo a convocação do ministro da Educação para que ele venha dar explicações sobre esta sua conduta”, disse em nota o congressista.

“O ministro da Educação é uma pessoa despreparada para o exercício do cargo, assim como Bolsonaro o é na presidência da República”. Para Valente o viés autoritário de suas concepções políticas entram em choque com os princípios da democracia garantidos na Constituição Federal e, “por isso mesmo, tentam reprimir e coagir, mas nada disso funcionou”, concluiu.

A avaliação nos bastidores é que semana que vem a Comissão de Educação possa aprovar novamente a convocação do ministro para que ele explique a coação a professores. Além disso, o PSOL acionou a Procuradoria-Geral da República contra a declaração do ministro. O partido argumenta que Weintraub fere a Constituição ao ameaçar estudantes, professores e técnicos das escolas públicas de todo o Brasil.


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