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16 de março de 2019, 08h31

Militares são estratégicos para sucesso ou fracasso do governo Bolsonaro, avalia cientista político

Na visão do cientista político os atritos entre o Ministério Público e o STF tratam de inexperiência e briga por vaidades

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Pelo que apresentou até aqui o destrambelhado governo Bolsonaro se mostra expert em gerar suas próprias crises, facilitando assim o trabalho da oposição. As traquinagens do presidente e de seus filhos já levaram militares a ranger os dentes, torcer o nariz ou mesmo um quatro estrelas dizer “já chega” quando se instalou a incontornável crise em torno da demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral de Governo.

Contemplado com cargos no governo e forte influência na Esplanada, o segmento miliar tem na figura do vice-presidente Hamilton Mourão um ponto de equilíbrio. Vez ou outra o general se apresenta como contraponto que soa agradável à opinião pública ante a figura de Bolsonaro.

Na avaliação do cientista político Leonel Cupertino, assistente legislativo da Queiroz Assessoria Relações Institucionais e Governamentais, os militares são os players (atores) primordiais para o sucesso ou fracasso deste governo. Até mais que o segmento evangélico.

Abaixo o inteiro teor da entrevista.

Blog do George – O que é essa base heterogênea que diz apoiar Bolsonaro? (evangélicos, militares, o Centrão)

Leonel Cupertino – Esse é o grande mistério e a pergunta que vale um milhão de dólares. Como o governo vai conseguir conciliar essas forças, sem agendas em comum é a grande dúvida, já que nessas bancadas prevalece a agenda de costumes. Alguma ou outra coisa de soberania nacional ou a proximidade do Brasil a países ditos mais próximos ao liberalismo.

Essa massa heterogênea complexa se dá muito bem entre eles, porém nas pautas de caráter econômico vai ser um grande desafio para o presidente conseguir conciliar.

Nesse aspecto os militares são os atores mais importantes. O presidente e o vice são militares; há uma quantidade considerável de parlamentares que são militares, logo eles são atores cruciais pro sucesso ou fracasso do governo. Até mais que os evangélicos.

Os evangélicos ameaçaram abandonar o governo. Nesse sentido, esta semana houve a nomeação da secretária-executiva do MEC, braço direito do ministro, uma evangélica escolhida como uma tentativa de sanar a insatisfação que existe entre esse setor com a articulação política do governo.

Como foi sanada essa insatisfação?

A fórmula para tentar resolver os problemas nós já sabemos, que é a concessão de cargos, liberação de emendas, enfim é a fórmula do presidencialismo de coalizão que estamos acostumados a ver e que não é nada novo. Porque a base do governo hoje também inclui deputados do baixo clero e até antigos caciques políticos.

Bolsonaro sinalizou que vai negociar cargos para aprovar a Previdência.

O Bolsonaro se colocou na campanha como uma espécie de oposição ao governo Temer, mas de uma forma mais branda. Já criticou a Reforma da Previdência em muitos pontos. Agora que assumiu o governo ele pensa “eu não posso mais ter essa postura de crítico à Reforma porque agora Eu sou o Governo”, então acho que ainda não caiu a ficha totalmente, que chegou a hora de governar.

Uma coisa é você atacar a política com um discurso de palanque para conseguir ganhar seguidores. Outra é você conversar com o corpo técnico, ter uma postura de chefe de Estado para conquistar votos.

Mesmo que a necessidade de reformas sejam um consenso no Brasil, há deputados que votarão a favor da Previdência com a desculpa de que será “pelo bem do Brasil”, “para salvar o país de uma crise fiscal”, “garantir a retomada do crescimento”, sem necessariamente vincular seu nome ao governo.

Ou seja, mesmo que o Planalto consiga alcançar 308 votos que precisa, e sabemos que na data de hoje está muito distante disso, a vitória não necessariamente será uma vitória do governo, mas da agenda que foi imposta.

Como você observa a disputa entre o Ministério Público e o STF?

Hoje no Brasil temos algumas instituições superpoderosas, o que no primeiro momento não é negativo para um país que historicamente virou as costas pro institucionalismo. Sabemos que nossas relações ainda são, sobretudo no interior do país, muito pautadas no patrimonialismo. Então por um lado é positivo você ter essa guerra de instituições porque você percebe um amadurecimento do aparato estatal brasileiro.

Só que também explicita nossa inexperiência de lidar com essas situações.

Nossas instituições ganharam poderes demais, e talvez elas não estivessem preparadas pra isso. Elas tiveram que se adaptar ao poder e se modernizar à medida em que foram aumentando as atribuições, responsabilidades e visibilidades. Então você ainda tem que enfrentar muita vezes uma briga de ego entre o Ministério Público com o STF, STJ, tribunais superiores, entre outros.


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