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18 de setembro de 2019, 17h24

Seminário na Câmara critica censura a produções culturais feitas pelo governo Bolsonaro

Nos últimos dois meses, o presidente travou uma ofensiva contra Ancine e chegou a defender um "filtro" sobre o conteúdo das produções ou a agência seria fechada

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Partícipe do Seminário Artigo 5º: Censura Nunca Mais, o ex-presidente do INPE, Ricardo Galvão, afirmou nesta quarta-feira (18) que o momento atual no país é de “negacionismo”, principalmente quando se trata de pesquisas científicas que o governo não tenha interesse que seja divulgado. No ocasião ele afirmou ter ficado “extremamente magoado” com a fala do presidente Jair Bolsonaro (PSL) desacreditando dados que apresentavam crescimento do desmatamento no Brasil.

“Esse fogo que tem ocorrido agora na Amazônia nós avisamos desde maio”, disse. Galvão alertou ainda que caso não seja feito nada pela Amazônia, a tendência será de “savanização”, podendo afetar a biodiversidade de forma irreversível.

“No meio científico você acusar que um cientista está mentindo sobre os dados é uma acusação gravíssima, pois compromete a credibilidade de um órgão importante como o INPE”, afirmou.

Gésio Passos, Coordenador-Geral do Sindicato dos Jornalistas do DF e Jornalista da EBC, expôs alguns casos de censura promovidos na empresa que, segundo ele se intensificaram desde o início do governo Temer.

“Uma das primeiras medidas foi a cassação do conselho curador da EBC, responsável por pensar um conteúdo de interesse público, além de acabar com a autonomia do mandado do presidente, mudança da programação, perda da pluralidade, além de vetos às pautas LGBTs”, relembrou.

Para a deputada Áurea Carolina (PSOL-MG) há uma tentativa de grupos que assumiram o poder de tentar censurar as artes.

“É uma preocupação que nós temos, de como reagir, junto com as comunidades artísticas e populares, contra esse movimento de censura”, ressaltou.

“É importante evocar o artigo 5 e 223 da Constituição Federal, sobre a complementariedade do conteúdo dos sistemas privado, público e estatal de comunicação”, emendou.

André Mussalem, presidente da Comissão de Cultura da OAB/PE, reforçou que o trabalho da Ordem tem sido de alertar a sociedade sobre como a censura vem acontecendo hoje. “A OAB não tem partido, não tem ideologia, tem compromisso com o estado democrático de direito”, afirmou.

Histórico de censura governo Bolsonaro

Em abril, o presidente mandou retirar do ar uma propaganda do Banco do Brasil sobre diversidade, que era estrelada por atores e atrizes negros, outros tatuados, além de homens usando anéis e cabelos compridos. Na ocasião, o diretor de Comunicação e Marketing do banco foi demitido.

Nos últimos dois meses, o presidente também travou uma ofensiva contra Ancine. Ele criticou o uso do dinheiro público para fazer “filmes pornográficos”, como Bruna Surfistinha, e defendeu que o cinema brasileiro passe a falar dos “heróis brasileiros”.

“Nós não queremos nem censuraremos ninguém, mas não admitiremos que a Ancine faça peças ditas culturais que vão contra os interesses e nossa tradição judaico-cristã”, afirmou em uma de suas transmissões.

Bolsonaro já disse em entrevistas que é “homofóbico, com muito orgulho” e que preferia ter um filho morto a um filho homossexual, entre outras declarações homofóbicas recorrentes em sua trajetória.


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