Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

No rastro do óleo do Nordeste
28 de maio de 2019, 22h06

Senado conclui votação de MP que reestrutura Esplanada com Coaf na Economia

Concluída a tramitação, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sai das mãos do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e volta para o Ministério da Economia, de Paulo Guedes

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Após intenso bate-boca e apelos por parte do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o Senado aprovou na noite desta terça-feira (28) o texto base da Medida Provisória que define a estrutura do governo. Em votação simbólica os congressistas aprovaram o texto vindo da Câmara, que tirou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do guarda-chuva do Ministério da Justiça, comandado por Sérgio Moro.

O governo teve dificuldade para conter senadores do próprio PSL, que queriam mudar o texto para atender à reivindicação de Moro, que considera o Coaf estratégico no combate à corrupção. Se a medida sofresse mudanças, porém, precisaria voltar à Câmara, pondo em risco o prazo de validade, em 3 de junho.

Em uma carta enviada ao Senado, Jair Bolsonaro pediu que fosse aprovado exatamente o texto que saiu da Câmara. O Planalto temia que caso o Senado alterasse algum ponto da MP a Câmara teria pouco tempo para apreciar o novo texto.

Governo bate-cabeça

No entanto, a incoerência do governo incomodou senadores no Congresso.

O líder da Oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a maioria dos senadores estava pressionada pelas manifestações de domingo a votarem pela manutenção do Coaf subordinado à pasta da Justiça e não à da Economia.

“E hoje o presidente escreve uma carta dizendo o contrário de tudo que as ruas pediram no fim de semana”, rebateu. “Se o governo é confuso que ele arque com suas trapalhadas”, disse.

“Eu nunca vi em tanto pouco tempo de governo tanta coisa estranha e desorganizada”, criticou o líder do PT no Senado, Humberto Costa. Para o congressista o governo deu um tiro no pé com as manifestações de domingo. “Criou-se uma maioria pressionada pelas ruas e não houve tempo de voltar atrás em virtude das mensagens trocadas do presidente”, afirmou.

As manifestações contra o fato de a Câmara ter transferido o Coaf para a Economia foram incentivadas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

No plenário, o senador Reguffe (Sem partido-DF) disse que o vai e vem do presidente “pode ter tido algum acordo esquisito por baixo dos panos”.

Concluída a tramitação, o Coaf sai das mãos do ministro Sérgio Moro e volta em definitivo para o Ministério da Economia, de Paulo Guedes.


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