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política

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02 de novembro de 2015, 21h50

Baixa popularidade: Haddad paga sua conta e a do PT em São Paulo

A popularidade de Fernando Haddad – segundo o Datafolha – patina num poço de 15% de aprovação.

Vários petistas e simpatizantes acham injusto o baixo índice para um prefeito teoricamente inovador. O que estaria falhando, segundo muitos, seria “a comunicação”.

“A comunicação” é o pretexto em onze de cada dez dirigentes políticos que afundam na popularidade. Nunca lhes ocorre lembrar que “a comunicação” é decidida em escolhas políticas.

Lula chegou a dizer, no início deste ano, que Dilma tinha um problema de “comunicação”.

Na época fiquei pensando que se ela fizesse uma campanha midiática avassaladora, poderia dizer á população que estava fazendo um ajuste, que decidira mudar o que pregara na campanha e pediria paciência ao pessoal para os nove milhões de empregos que desapareceram por alguns anos. E que depois, com simpatia e engenho, tudo voltaria ao normal.

Em termos de comunicação, estaria perfeito.

No mundo real, seria algo bizarro. Alguém usaria a publicidade de mercado para dizer a verdade..

INICIATIVAS INTERESSANTES – Haddad teve algumas iniciativas interessantes. Ciclovias nas áreas centrais, redução da velocidade em vias expressas, um plano diretor que contenta o mercado imobiliário, com alguns tópicos interessantes, anunciou a construção de cinemas públicos na periferia, ampliou moderadamente o número de corredores de ônibus, entre outras coisas.

Mas é muito pouco para “um novo homem de um novo tempo”, como apregoado na campanha eleitoral de 2012.

Os cortes no PAC e a tesoura na renegociação da dívida lhe tirou oxigênio financeiro, para fazer o que fosse. Disso ele não pode reclamar, pois são decisões do governo federal, de seu partido.

Mas querer examinar a obra haddadiana pelo varejo das obras e iniciativas isoladas não é bom caminho.

O melhor é voltar á política.

(Foto: Fábio Arantes / Fotospublicas.com)

TROPEÇO NA ENCRUZILHADA – E preciso ser dito que Fernando Haddad, numa daquelas encruzilhadas na qual se pede ousadia, criatividade e espírito de iniciativa de um homem público falhou miseravelmente.

Trata-se da decisão de – por semanas – não compreender o que estava em causa em junho de 2013 (logo ele, um cientista político!) e governar como burocrata, de olho na planilha.

Diante da demanda popular pela retirada de um aumento de R$ 0,20 nas tarifas de transportes, o professor da USP resolveu desafiar a massa. E o óbvio.

Aferrou-se no argumento de que as contas públicas não aguentariam a mudança. Diante da pressão, voltou atrás e as contas aguentaram.

CONTA PETISTA – Ali, o prefeito de São Paulo abdicou da posibilidade de se tornar uma liderança nacional e canalizar pacificamente um descontentamento àquela altura ainda difuso.

E poderia ter preparado os setores democráticos da sociedade para enfrentar a onda conservadora que se avolumava.

Não quis, o bonde passou e Haddad perdeu.

Mas não se pode imputar apenas ao alcaide o mergulho de sua popularidade.

Haddad bebe do fracasso do PT e do rompimento do partido com sua base social. Haddad colhe aqui o fruto amargo do estelionato eleitoral de 2014, com seu rosário de lorotas midiáticas.

Embora tenhamos ainda um ano para as eleições municipais e muita ponte possa passar por essa água, o horizonte do chefe do Executivo paulistano não está fácil.

O desalento e o desânimo provocados principalmente pela ação federal petista no último ano está mandando sua fatura. Salgada.


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