Não é Maia que se articula para o governo, é a agenda de reformas que procura um refil

Há algo de curioso nas movimentações da quadrilha de apoio ao governo no Congresso, nesses dias pré-queda de Temer. Usualmente, os enfrentamentos entre candidatos a algum cargo se dão como fulanização das disputas de projetos. Um postulante apresenta determinado enfoque sobre as soluções para o país, outro coloca ideias diversas e mais um externa uma […]

Há algo de curioso nas movimentações da quadrilha de apoio ao governo no Congresso, nesses dias pré-queda de Temer. Usualmente, os enfrentamentos entre candidatos a algum cargo se dão como fulanização das disputas de projetos. Um postulante apresenta determinado enfoque sobre as soluções para o país, outro coloca ideias diversas e mais um externa uma terceira opinião a ser materializada tão logo se alcance o posto almejado.

Nas articulações palacianas para levar Baby Maia ao terceiro andar do Planalto, a inversão é total. O programa é quem está no poder, com seu cardápio de cortes, contrações, privatizações, ataque aos direitos etc. O que se procura é um mercenário qualquer que dê andamento ao arrazoado do lugar-comum liberal.

Isso fica claro nas declarações sabujas do deputado do DEM (a Arena voltou!). Na tarde desta sexta (7), ele batucou em seu twitter: “Não podemos estar satisfeitos apenas com a reforma trabalhista. Temos Previdência, Tributária e mudanças na legislação de segurança pública”.

Maia não tem ideias, Maia não tem projetos, Maia não é nada. Maia é um cavalo do mercado, a quem decidiu caninamente se oferecer como refil do golpe em andamento. Conta com o impulso da gang aliada para se arrumar.

As cláusulas pétreas da tramóia estão no Ministério da Fazenda e no Banco Central.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

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Gilberto Maringoni

Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC. É também jornalista e cartunista.

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