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19 de novembro de 2019, 11h18

O “caso Jones Manoel” não é sobre Stalinismo. É sobre a democracia no debate público

Jones Manoel é um jovem pesquisador, com qualidades e defeitos como qualquer um. Seus trabalhos devem ser lidos, debatidos e - quando for o caso - combatidos publicamente, sem vetos ou sem a criação de um índex discriminatório do que deve ou não vir a público

Edição brasileira da revista Jacobin (Reprodução/Facebook)

Acabo de ler o artigo “O anticomunismo que a direita gosta”, de Jones Manoel, lançado na primeira edição da Jacobin Brasil. Trata-se de um texto bem fundamentado sobre a aversão às ideias socialistas na academia. É tema quente em tempos bolsonáricos. Não há nenhuma louvação ou elogio a Joseph Stálin e a palavra “stalinismo” é mencionada três vezes num universo de 1865 palavras.

Para minha absoluta surpresa, os professores da USP e Unicamp que o atacam não se referem ao que está no papel, uma vez que apenas os editores tiveram acesso ao ensaio antes da publicação. O que foi feito é algo desleal: uma acusação ad hominem.

Pelos ataques que recebe, Jones não poderia ser publicado por ser stalinista! Tem de ser banido dos espaços públicos de debate, da revista, dos meios progressistas e seu nome não pode ser citado.

É como se – numa grande e imaginária foto da família esquerdista – a imagem tivesse de ser retocada para apagar Jones Manoel, historiador pernambucano.

SEM QUERER QUERENDO, seus detratores reproduzem como farsa a prática stalinista dos anos 1930 de apagar desafetos das fotografias. Estamos diante de mais um exemplo de acusadores que se comportam como o que eles julgam ser o acusado.

O ridículo chegou ao ponto de um dos promotores do que seria a boa linha de uma esquerda sadia denunciar o pecado venial da Jacobin Brasil ao editor estadunidense. Uma prática de dedurismo ideológico sem retoques.

Outro reclamou não ter sido avisado de que “um stalinista” estaria nas mesmas páginas que ele, talvez temendo uma contaminação pela celulose.

Jones Manoel é um jovem pesquisador, com qualidades e defeitos como qualquer um. Seus trabalhos devem ser lidos, debatidos e – quando for o caso – combatidos publicamente, sem vetos ou sem a criação de um índex discriminatório do que deve ou não vir a público.

O debate que se vê nas redes sociais sobre o tema pouco tem a ver com Joseph Stálin, Leon Trotsky ou com a história do movimento comunista internacional. Tem a ver com a livre circulação de ideias em todos os meios e momentos. Trata-se de um debate sobre democracia entre a esquerda.

______________

P.S. Se precisasse de campanha publicitária, a Jacobin Brasil não encontraria melhor forma do que essas acusações destrambelhadas. Apesar do que escrevi acima, elas tornam a revista conhecida através de um debate – torto, é verdade – que empolga a esquerda há quase um século! A revista está um primor!

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