Blog do Maringoni

política

13 de novembro de 2018, 16h55

Psicologia de massas do fascismo

Gilberto Maringoni cita a obra “Psicologia de massas do fascismo”: “A mentalidade fascista é a mentalidade do ‘Zé Ninguém’, que é subjugado, sedento de autoridade e, ao mesmo tempo, revoltado. Não é por acaso que todos os ditadores fascistas são oriundos do ambiente reacionário do ‘Zé Ninguém’

Lançado há exatos 85 anos, quando o nazismo chegava ao poder na Alemanha, “Psicologia de massas do fascismo” segue perturbadoramente atual. Willelm Reich (1897-1957) examina o papel do fascismo na afirmação do indivíduo oprimido, suas relações com a sexualidade e a fiel identificação com o líder.

O livro pode ser encontrado na íntegra com um clique no Google. Abaixo, um trecho particularmente afiado:

“A mentalidade fascista é a mentalidade do ‘Zé Ninguém’, que é subjugado, sedento de autoridade e, ao mesmo tempo, revoltado. Não é por acaso que todos os ditadores fascistas são oriundos do ambiente reacionário do ‘Zé Ninguém’. O magnata industrial e o militarista feudal não fazem mais do que aproveitar-se deste fato social para os seus próprios fins, depois de ele se ter desenvolvido no domínio da repressão generalizada dos impulsos vitais.

Sob a forma de fascismo, a civilização autoritária e mecanicista colhe no ‘Zé Ninguém’ reprimido nada mais do que aquilo que ele semeou nas massas de seres humanos subjugados, por meio do misticismo, militarismo e automatismo durante séculos.

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O ‘Zé Ninguém’ observou bem demais o comportamento do grande homem, e o reproduz de modo distorcido e grotesco. O fascista é o segundo sargento do exército gigantesco da nossa civilização industrial gravemente doente. Não é impunemente que o circo da alta política se apresenta perante o ‘Zé Ninguém’; pois o pequeno sargento excedeu em tudo o general imperialista: na música marcial, no passo de ganso, no comandar e no obedecer, no medo das ideias, na diplomacia, na estratégia e na tática, nos uniformes e nas paradas, nos enfeites e nas condecorações.

Um imperador Guilherme foi em tudo isto simples ‘amador’, se comparado com um Hitler, filho de um pobre funcionário público. Quando um general ‘proletário’ enche o peito de medalhas, trata-se do ‘Zé Ninguém’ que não quer ‘ficar atrás’ do ‘verdadeiro’ general”. (Pág 13).

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