Venezuela: quem fala pela oposição agora?

Buscando conquistar o poder político por fora das vias institucionais, o limitado parlamentar abre mão de se colocar como interlocutor em qualquer mesa de negociação

A estupidez de Juán Guaidó – e de quem o ajudou na quartelada sem quartel desta terça (30) – vai muito além do fracasso na investida golpista. A ação compromete algo muito maior.

Guaidó disparou um torpedo – este sim certeiro! – em qualquer tentativa imediata de diálogo nacional.

Buscando conquistar o poder político por fora das vias institucionais, o limitado parlamentar abre mão de se colocar como interlocutor em qualquer mesa de negociação.

Se já não era levado a sério pelo governo Maduro, agora é John Bolton, conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, que aparenta perder a paciência com o herói da GloboNews. Em rápida coletiva no mesmo dia, ele deu sinais de não compreender como altos dirigentes bolivarianos que prometiam se somar ao ‘pronunciamiento’ mudaram de posição em poucas horas.

A CIA parece ter se comportado amadoristicamente diante de bem urdida trama dos serviços de inteligência venezuelanos. O que é uma vergonha para o bom nome da Companhia.

O irônico de tudo é que não foi o “ditador” Nicolás Maduro quem triturou a seriedade de Juán Guaidó. Foi ele mesmo e sua ansiedade infantil no jogo político.

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Gilberto Maringoni

Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC. É também jornalista e cartunista.

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