TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

É ético torcer contra o próprio time apenas para prejudicar o rival?

Como todo ano, ao final de campeonatos de pontos corridos aparece a narrativa de profissionais perdendo por querer, para tirar o título ou empurrar um rival para a Série B

Torcida vai torcer pela derrota do Galo?.Créditos: Reprodução Twitter Atlético/MG
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Felipe, o Mineirinho, torcedor fanático do Galo, é historiador, formado em Ouro Preto. É casado com Isabel, professora de inglês. São pais do João,  que nasceu em 2013, no ano da Libertadores, no dia da defesa de São Vitor.

Os três moram em Casa Branca, em São Paulo. E Felipe, mesmo longe de casa transferiu para o filho o amor ao Atlético. Mesmo rodeado de palmeirenses, corintianos e são-paulinos, João vibra pelo Galo de Hulk e Paulinho, seus ídolos.

Agora, na fase final do campeonato, Felipe, ao contrário do filho, nem está tão interessado no Galo: nós já estamos na Libertadores e eles estão pra cair. Tô firme na torcida e pode ser que eles fiquem na nossa mão"

Ele se refere ao jogo Bahia x Galo na última rodada do Brasileirão. Na mesma hora, o Cruzeiro recebe o Palmeiras. "Se a gente perder para o Bahia não muda nossa situação, mas pode ser a pá de cal para eles caírem".

E então, vai torcer para seu time perder? "Não consigo, mas também não vou ficar tão triste".

Há outros torcedores com o mesmo dilema. O do São Paulo, duas vezes. Na próxima rodada, enfrenta o Bahia fora de casa. Bahia, dirigido por Rogério Ceni, o maior ídolo da história do clube. Uma derrota pode ajudar Ceni a evitar a fama de rebaixado.

Há mais um dilema reservado ao torcedor do São Paulo para a última rodada: torcer para o time vencer o Flamengo, mesmo com o risco de o resultado levar o Palmeiras ao título?

E, se o Flamengo pode ser "ajudado" pelo São Paulo, pode também ser "prejudicado" pelo Fluminense, com a cabeça no Mundial e que visita o Palmeiras na rodada 37.

Com certeza, muita mala branca vai aparecer no final do campeonato. Muito incentivo para que joguem a sério. 

E, ocorra o que ocorrer, no final haverá - prevalecendo ou não - a narrativa de que o time A entregou o jogo para o time B apenas para prejudicar o time C, seu rival mais próximo.

Somos bons em teoria da conspiração.