Desculpas de Ramón Diaz não podem esconder frase preconceituosa
Treinador do Inter é preconceituoso com o futebol feminino e reconhece que precisa evoluir
Esqueça que estamos falando de esporte. Um pouco, pelo menos. Vamos falar de mercado de trabalho e conquistas sociais. A profissionalização do futebol feminino foi um dos grandes avanços trabalhistas.
As mulheres que viviam jogando aqui e ali, em troca de um dinheirinho qualquer - me refiro àquelas que não conseguiam ir para a Europa - agora têm um calendário anual. Disputam Copas e Campeonatos, conseguem ter um planejamento salarial. Se sofrerem contusões, são atendidas por médicos credenciados.
Enfim, são trabalhadoras. Trabalhadoras registradas, contribuem com INSS, um grande avanço. Estão na televisão e o público de jogos tem aumentado.
É uma realidade.
E, chegando ao primeiro quarto do terceiro milênio, ainda são questionadas.
Ramón Diaz, treinador do Inter, depois de ver seu time sofrer um empate contra o Bahia no último minuto de jogo, soltou uma frase negativista e preconceituosa. Futebol não é para meninas, é coisa de homem.
Machista e misógino.
Nenhum repórter o questionou.
No dia seguinte, soltou uma nota dizendo que se expressou mal. E que todos precisamos evoluir.
Certíssimo. Todos, mesmo. Mas ele está bastante atrasado.