Blog do Mouzar

O que o brasileiro pensa?
24 de janeiro de 2020, 22h50

A direita bom prato

No blog do Mouzar, ele reflete sobre o pobre, “que leva uma vida miserável e milita em movimentos de direita, vota em bolsonaros e afins”

Foto: Agência Brasil

Esteve muito na moda falar mal da “esquerda caviar”, gente rica, que defende o socialismo, mas leva uma vida privilegiada, ou, para usar um termo também na moda, “gourmet”.

Mas o que me ofende os sentimentos não é esse tipo de militante, é o contrário: o pobre, que leva uma vida miserável e milita em movimentos de direita, vota em bolsonaros e afins e defende políticas que vão contra ele mesmo, de repressão e morte aos seus semelhantes, sua família, seus vizinhos, seus amigos…

Se tem uma “esquerda caviar”, tem também uma “direita bom prato”.

Ser pobre não é nenhuma indignidade e comer pratos feitos ou refeições subsidiadas pelo governo, também não. É uma circunstância que não deve envergonhar nem estigmatizar ninguém. Já passei por épocas em que comia pratos feitos direto e já experimentei restaurantes do governo paulista chamados “bom prato”, que servem refeições por um real. São refeições simples, mas honestas, equilibradas, saudáveis. E, repito, não vejo nenhum defeito em se alimentar neles. Se estiver em algum lugar em que haja um restaurante desses, me sirvo dele com prazer.

Aliás, se viver mais uns bons anos, meu destino será comer neles direto, pois, aposentado pelo INSS, vejo o poder aquisitivo do meu “benefício” ir minguando dia a dia. Pode ser que nem dê para voltar ao velho PF, quer dizer, prato feito, talvez tenha que me tornar um freguês regular do bom prato. E se acontecer, não vou ter vergonha disso. Posso ficar indignado com a política opressiva que nos empobrece, mas não com complexo pelo o fato de ser pobre.

O que me irrita é ver gente desempregada ou subempregada (“empreendedores” na linguagem edulcorada dos economistas do sistema), que vive na maior pindaíba louvando a direita que odeia pobre e militando raivosamente em seus movimentos.

É gente que defende os valores de quem a oprime, gente que, conforme diz o velho ditado, come mortadela e arrota caviar. É o contrário de quem come caviar e convive bem com quem come mortadela. E é um contrário pior, porque aceita as teses de que quem é pobre é porque é preguiçoso, vagabundo, quer viver às custas do governo e de quem “paga impostos”.

Não é novidade, mas agora o Brasil está cheio desse tipo de gente. Tem favelado negro militando e assumindo ares de líder de movimentos de extrema direita e racistas.

Durante muito tempo, o pessoal de esquerda justificava dizendo que o sujeito está sendo enganado, iludido… Pode ser que tenha alguns assim, mas muitos eu acho que são mesmo sem-vergonhas, que gostam de ser usados, manipulados, por inimigos deles mesmos e que, quando convier, serão descartados e possivelmente até responsabilizados por canalhices cometidas pelos líderes a quem puxam o saco. Lambem botas sabendo que serão chutados por elas.

Então, com todo respeito aos PFs e aos bons pratos e seus usuários, nenhum respeito à direita bom prato. Que se dane! Merece.

E é puxa-saco!

Vira e mexe, a gente vê um tipinho desses como papagaio de pirata de certos poderosos. O cara se sente no poder… Parece que existe um sadomasoquismo nesse comportamento. Pensando nisso e nos militantes da direita bom prato, eu me lembrei de um texto da filósofa Márcia Tiburi, procurei na internet e vi que foi publicado no Jornal do Brasil, em 10 de abril de 2018. Chama-se “Do puxa-saco ao sadomasoquista: uma análise do Brasil”. Abaixo, um pequeno trecho dele:

“[O puxa-saco] é a personificação do sadomasoquismo social. Se abaixa a cabeça para uns, exige subserviência de outros. Covardes digitais que encontram um lugar ao sol nas redes sociais são puxa-sacos na vida real. Ora Zé-Mané, ora VIP, ele se identifica com líderes autoritários e se realiza no prazer de maltratar verbal ou fisicamente pessoas que ele tem medo na vida real.

(…) Agentes sempre prontos a atuar nos regimes de exceção, eles gozam com a parte que lhes cabe, seja na corporação, seja no tribunal, em casa e nas ruas.

O puxa-saco, quando não está na posição serviu do masoquista, torna-se um sádico autoritário. Lacaios célebres, capitães do mato e capos dos campos de extermínio…”.

Quem quiser ver o texto inteiro, entrar em diários.com.br/artigos/do-puxa-saco-ao-sadomasoquista-uma-analise-do-brasil/9794/

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum

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