Blog do Mouzar

Entrevista exclusiva com Lula
13 de abril de 2013, 03h25

Acuma é o nome dele?

Em fevereiro, saiu a lista de 11 mil vestibulandos da USP e da Faculdade de Medicina da Santa Casa convocados pela Fuvest na primeira chamada, e me bateu a curiosidade de olhar se alguns nomes ainda sobrevivem.

Exemplos? Sebastião, Benedito, Baltazar, Alaor, Nair, Olímpia, Inácia e Janete.

Nomes que foram comuns há algumas décadas hoje são raridades. A moda funciona até em relação aos nomes das pessoas, e atualmente as novelas têm muito a ver com isso, assim como jogadores de futebol e artistas.

É curioso ver as mudanças. Uns nomes que, na minha infância, eram considerados caipiras, de repente se tornaram moda nas cidades e sobrevivem até hoje, com força. É o caso de Gabriela, Joana e Manuela.

Em 2009 e 2011, os jornais noticiaram pesquisas sobre nomes registrados em cartórios de todo o Brasil, e deu uma coisa óbvia: Maria e José eram os campeões, mas só em nomes compostos, como Maria Eduarda, Maria Clara, Maria Luísa, José Carlos e José Luís. Ana quase empata com Maria nos nomes compostos femininos. Nos masculinos, há muitos nomes compostos com João, Antônio e Francisco.

Os campeões mesmo são outros. Os nomes femininos mais registrados eram Júlia, campeão absoluto, além de Giovana, Sofia, Isabela, Beatriz, Manuela e Yasmim. É interessante notar que as pessoas gostam de dar um toque “estrangeiro” nos nomes, colocando Giulia em vez de Júlia ou escrevendo Isabella com ll e Yasmim em vez de Jasmim.

Entre os nomes masculinos, Gabriel e Miguel foram os campeões, seguidos de Artur, Mateus, Davi, Lucas e Rafael e Felipe.

Na lista da Fuvest, vi que alguns nomes sobrevivem, mas precariamente. Muitos apareceram só uma vez. É o caso de Rute, Fátima, Rosa, Aparecida, Aurora, Rita, Fausto, Célia, Cleide, Neusa, Geraldo, Afonso, Clóvis, Ari, Horácio e Vicente. Então, entre os calouros de 2013, se alguém tiver um nome desses, não vai ter nenhum xará entre os colegas.

Surpreendente é que não há nenhuma Elizabeth, Hélia, Rosa, Ivana, Madalena, Nilza, Amélia, Roseli, Rosali, Dulce, Iracema e Iraci, por exemplo. E nem Rui, Batista ou João Batista, Cristóvão, Jurandir, Américo, Afrânio, Ernesto Ari e Sebastião.

Isso sem contar alguns que eu já suspeitava que são nomes de maiores de não sei quantos anos, e que não apareceram em nenhum dos convocados, como Ademar, Jacinto, Ubiratã, Ubirajara, Eugênio, Juraci, Euclides, Bento, Norberto, Nivaldo, Dio­­nísio, Nilo, Zacarias, Adalberto, Gualberto, Zeferino, Alípio, Jânio, Silas, Agnaldo, Agildo, Rozendo, Orozimbo, Boaventura, Benício, Onofre, Rivaldo, Roberval e Baltazar.

Na mesma situação estão os nomes femininos Margot, Dalva, Neide, Diva, Odete, Jandira, Celeste, Nair, Eunice, Nadir, Araci, Ofélia, Benedita, Sebastiana, Mércia, Idalina, Magda, Margarida, Ida, Margarete, Eudóxia, Maria Aparecida, Cândida, Zulmira, Hortênsia, Eneida, Zuleica, Zulmira, Zélia, Zilda e Zenaide.

Mais uma coisa interessante a notar: nomes que inspiraram muita gente de esquerda na nomeação dos filhos já são coisa do passado. Vladimir ou Wladimir ausente nos nomes dos calouros da Fuvest é um deles. Aliás, lembrando de Lênin tenho uma teoria: quando se coloca um nome numa criança em homenagem a um grande cara, o sujeito tende a crescer contrariando a homenagem. Nenhum Lênin ou Lenine que conheci (não conheço o cantor Lenine) era de esquerda.

E tem as homenagens que viram anti-homenagem: um cara colocou no filho o nome Ernesto, em homenagem a Che Guevara. Poucos anos depois, o general Ernesto Geisel assumiu o governo… Ah, Ernesto não aparece nenhuma vez na lista da Fuvest. Nem Fidel. Luís Carlos, nome que homenageava Prestes, também vai sumindo: só apareceu um, ao contrário de muitos outros nomes compostos com Luís. Luís Carlos agora é raro, é nome do passado.

Lembro-me também de nomes que foram moda numa época específica, como os indígenas Maíra, depois do lançamento do livro de Darcy Ribeiro com esse nome, e Aritana, quando apareceu com destaque na imprensa um Aritana índio do Xingu que era um verdadeiro galã.

Mas nessas listas de nomes sempre aparecem alguns bem diferentes. Vi na lista da Fuvest nomes como Exupério, Cairo, Caira e Quedima. E tem também dois chamados Zeca, que antes só vi como apelido de José.

Nomes raros, “diferentes”, podem ter consequências inesperadas, sua raridade pode até virar problema. Um dos meus amigos de juventude tinha uma namorada chamada Onofra, uma menina bonita e simpática. Mas adolescente é implicante, e amigos dele gozavam tanto do nome dela que se deu o fim do namoro depois de uma discussão. Uma bobagem, não é? Mas acontece.
Com certeza algum leitor está pensando: “Que moral tem esse cronista com esse nome atrapalhado pra falar dos nomes alheios?”. Pois é… Não tenho.

Termino lembrando que nome diferente, esquisito, tem uma vantagem e uma desvantagem. A vantagem é que não vou entrar na lista da Sociedade de Proteção ao Crédito por culpa de ninguém. A desvantagem é que se entrar, ou cometer alguma besteira, não dá pra inventar que é um xará. F

Esta crônica é parte integrante da edição 120 da revista Fórum


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