Blog do Mouzar

20 de abril de 2019, 08h46

Desaforismos (aforismos desaforados)

Blog do Mouzar publica uns “desaforismos”, válidos para os novos tempos. Muitos não são de agora: foram publicados há tempos

Foto: Agência Brasil

Publiquei aqui, recentemente, uns “pós-conceitos” válidos para os tempos atuais. Agora publico uns “desaforismos”, também válidos para os novos tempos. Mas, devo reconhecer e esclarecer, muitos não são de agora: foram publicados há tempos neste mesmo blogue e em outros lugares. Pensei neles ao lembrar o que dizia um amigo, o Chico, nos tempos da ditadura: “Quem já aguentou um palmo e meio, aguenta mais dois dedos… rindo”. Aí vão:

Brasil, o país do futuro, tem cada vez mais saudade do passado.

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A era em que vivemos pode ser chamada de Já Era. Emprego? Já era. Decência política? Já era. Sistema educacional? Já era. Lei? Já era. Saúde pública? Já era…

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Executivo insensível também pode ter nó na garganta: o da gravata.

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Nem só o peido é prenúncio de uma cagada. Eleição também pode ser.

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Dia da Árvore, Dia do Trabalhador, Dia de Ação de Graças, Dia do Índio, Dia da Mulher, Dia… Devia ser tudo Dia 1o de Abril…

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O que a gente pensava ser o fundo do poço era só um patamar. Temos muito a afundar.

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Se é duro ver velhas figuras da ditadura dando as cartas na “democracia” atual, mais duro é ver algumas de suas ex-vítimas assanhadinhas, rasgando seda para elas.

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Nem só da classe média vive a imbecilidade.

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Pragmatismo é o nome que se dá a uma forma de prostituição política.

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Sem-teto, sem-terra, sem-saúde, sem-escola que preste, sem-justiça, sem-emprego…

Mas com-violência, com-fome, com-vermes, com-tudo quanto é merda… Ô vida de brasileiro!

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No Brasil, democracia é o jeito de transformar em políticos normais os expoentes odiados da ditadura.

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Para quem tem tesão por mandar, o poder é mais phoder.

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A praça é do automóvel, como o céu é da poluição.

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O Brasil está mais para país da quarta-feira de cinzas do que do carnaval.

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Banqueiros alegres, povo triste!

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Alcoolizaram a República brasileira: até 1930 ela era do café com leite, agora é um porre.

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O salário mínimo tem pouco de salário e muito de mínimo.

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Já zonearam até a camada de ozônio.

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O que falta à elite brasileira não é caráter, isso ela tem até demais. Só que péssimo.

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Música, desde o final do século XX, na grande maioria, não é um barulho dos melhores.

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O amor é cego, a Justiça é cega… talvez seja por isso que levam tanta desvantagem aqui.

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Quando certos políticos se dão as mãos, forma-se um círculo vicioso.

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Poder e pudor muito raramente se encontram na mesma pessoa.

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Quem ama o feio… deve estar apaixonado pela política brasileira.

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Reforma da Previdência: você vai trabalhar mais, muito mais, correr o risco de morrer antes, mas se chegar lá vai se aposentar ganhando muito menos. Mas é para o seu bem, diz o governo.

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Para os fundamentalistas, a vida não é fundamental.

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Tem deputado federal que usa seu mandato como se fosse um vereador… e vereador que cobra propina como se fosse deputado federal.

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O dízimo cobrado por certas igrejas não é uma dízima periódica, mas também se repete indefinidamente.

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Não se pode garantir que a Justiça brasileira seja cega, mas o que faz de vista grossa!…

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Há situações em que rico é que não vai pra frente. Na guerra, por exemplo.

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O inferno é aqui na terra mesmo, mas só para os pobres. Para os ricos, aqui é um céu.

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Paranormal é a situação do Brasil.

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Para quem não tem cabeça, tudo é um bicho de sete cabeças.

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Para os Estados Unidos, nada melhor que os outros sejam países desunidos.

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Há governantes que se inspiram nos “déspotas esclarecidos”… só que mal esclarecidos.

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Eleições são muito importantes: por meio delas escolhemos quem vai nos ferrar a vida nos próximos anos.

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Existe juiz que merece mesmo ser chamado de meretríssimo.

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O bom filho à casa torna. Como faz o bom filho de uma família sem-teto?

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Nestes tempos de galinhagem, é preciso ter postura!

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Políticos e empresários que minam o país são considerados cidadãos eminentes.

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Contradição de protestante é aceitar sem protestar tudo que o pastor manda fazer.

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Num sistema com péssima distribuição de renda, todo pecado é capital.

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Quem nasceu pra ladrão pé-de-chinelo nunca chega a corrupto.

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No fundo, no fundo, o pensamento de certos intelectuais está abaixo de raso.

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Muitas diretrizes governamentais deviam chamar-se erratrizes.

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No Brasil, até a independência foi no grito!

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Em terra de endividados, quem tem um banco é rei.

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Quem boa cama fizer, nela outro se deitará.

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Tive um patrão que era mesmo uma figura de proa: uma carranca horrorosa.

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Quem só encara sopa não sabe a dureza da rapadura!

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Do ambiente, que já chamam de meio, não vai sobrar nada.

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Os governos dançam conforme a música: se é samba, eles dançam rock; se é valsa, eles dançam tango; se é tango, eles dançam bolero…

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Greve de fome, para desempregados, não é nada demais. O que eles gostariam de fazer é greve de comida.

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Do jeito que o mundo está chato, não dá pra viver sem vício.

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No Brasil, os velhos ditados devem ser adaptados: aqui, todos os caminhos levam ao brejo.

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Governador, senador, vereador… Acho que entendi porque a política no Brasil é sofrível.

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Quando um não quer, dois não são amigos.

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Em flagrantes de corrupção, quem é vivo nunca aparece.

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Por que criminoso rico não vai preso? Porque o castigo anda a cavalo, e ele foge de carro ou de avião.

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Diz o ditado patronal que manda quem pode, obedece quem tem juízo. Poder pra mandar eu não tenho, mas juízo pra obedecer tenho muito menos.

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Saco vazio não para em pé, mas nem por isso venha me encher o saco

(Todos esses “desaforismos” fazem parte do livro não publicado “Pós-conceitos, desaforismos, kai-kais, preguntas e desditados”)

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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