sexta-feira, 18 set 2020
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Glauco em Sampa e Jakobskind no Rio

Dois livros importantes serão lançados na semana que se segue:

Dia 10 (quinta) – das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena – São Paulo) – uma espécie de “obras completas” do Glauco. Quem organizou e editou foi o Toninho Mendes.

Dia 11 (sexta) – a partir das 18h30 na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Rua Araújo Porto Alegre, 71, 7º andar, Rio, RJ. – “Líbia – barrados na fronteira”, de Mário Augusto Jakobskind, um repórter de verdade, e com uma visão de esquerda.

Os releases estão abaixo:

 Glauco

Considerado um dos mais ousados cartunistas de sua geração, Glauco foi um criador intenso, que durante os trinta anos de publicação na Folha de S.Paulo divertiu seus leitores com seu humor escrachado e irreverente. Sempre muito econômico nos traços, desenhava com muita objetividade utilizando cenários mínimos. Seus personagens e a maneira de fazer as charges políticas trouxeram leveza e renovação para o humor brasileiro, que passava por um período duro de combate e oposição ao regime militar.

Neste mais recente lançamento do Grupo Almedina Geraldão – Espocando a cilibina! Nos gibis da Circo Editorial estão reunidas todas as histórias dos personagens de Glauco (Geraldão, Casal Neuras, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, DonaMarta e o Chato), editadas nas dez primeiras edições da revista Geraldão em ordem cronológica, além de trazer as dez capas da revista em ediçãofac-símile, a cores e com algumas das absurdas seções de cartas dos leitores, que muitos acreditavam serem inventadas pelos editores. Há, ainda, páginas e seções avulsas sobre o comportamento social e político da época: o surgimento da aids, os saques a supermercado, as relações familiares, a inflação e o processo de abertura política, sempre desenhados e tratados com muito humor e ironia.

O período em que esses gibis foram criados e editados (…) foi também o de meu mais contínuo e intenso convívio com Glauco. Trabalhávamos juntos na redação da Circo Editorial onde ele desenhava as histórias e resolvíamos qual seria o conteúdo da edição. Já no primeiro número da revista Geraldão aprofundava-se o comportamento Edipão do Geraldão. Nas edições seguintes viriam o casamento do Casal Neuras, a volta do pai do Geraldão, Doy Jorge, Geraldão no olho da rua, a separação do Casal Neuras, Geraldão prefeitão e, na décima e última edição dessa fase, o Geraldão sem pai nem mãe, relata Toninho Mendes.

Para o jornalista e historiador Gonçalo Junior, que escreveu uma das apresentações, Glauco tinha a sensibilidade de um psicanalista, seus personagens nada mais eram que figuras comuns do nosso cotidiano, com suas loucuras, taras, manias. Glauco era todos os seus personagens e também representava nos quadrinhos as angústias, medos e inseguranças ou noias de seus leitores. Era seu analista, seu terapeuta, seu psicanalista, seu psicólogo, seu psiquiatra, enfim. Daqueles que funcionavam porque tocava todos com suas tiradas cheias de carinhos violentos, quase sado masoquistas, como tratamento de choque – e que sempre acabavam com um ferro de passar atirado na cabeça de alguém. Nas entrelinhas, Glauco queria dizer: não esquenta, todos nós somos mesmo neuróticos e malucos e se fosse diferente, a vida não teria graça.

Jakobskind

Líbia: barrados na fronteira, de autoria do jornalista Mário Augusto Jakobskind, será lançado no próximo dia 11 de novembro, sexta-feira, a partir das 18h30 na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Rua Araújo Porto Alegre, 71, 7º andar, Rio, RJ. Antes dos autógrafos, haverá debate sobre o papel da mídia e o que ocorreu na Líbia nos últimos meses de conflitos. Está confirmada a presença do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), um dos integrantes da frustrada viagem da delegação brasileira, que tinha como objetivo preparar um relatório para a ONU sobre a invasão daquele país pelas forças da OTAN. O livro é mais uma edição da BOOKLINK (www.booklink.com.br); e o evento conta com o apoio da ABI e da Lidador.
Além de analisar os acontecimentos naquele país do Norte da África, o autor mostra como os meios de comunicação manipularam fatos com a edição de imagens e textos que tiveram o objetivo de convencer a opinião pública sobre a “missão humanitária” exercida pelos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), fator determinante para a definição de um dos lados da disputa entre adeptos e opositores do regime líbio, capitaneado por Muammar Kadhafi.
O presidente da ABI, Maurício Azêdo, no texto de apresentação, assim se refere sobre o lançamento: “Com extremado senso de oportunidade jornalística, já demonstrado em outros trabalhos publicados pela mesma editora, Mário Augusto Jakobskind nos oferece neste seu mais novo livro não apenas o relato episódico de relevante acontecimento histórico, mas um amplo e circunstanciado painel da tragédia que se abateu sobre a Líbia e seu povo após a união de poderosas forças do Ocidente − Estados Unidos, Grã−Bretanha e França − para a derrubada de um dirigente nacional, Muammar Kadhafi, que durante mais de quatro décadas foi protagonista de destacados momentos da vida internacional.”
O autor, experiente repórter, com passagens por diversas redações, também fez parte da delegação brasileira à Líbia, que ficou barrada na fronteira da Tunísia e a Líbia. E atualmente é conselheiro da ABI e o representante da entidade junto à EBC (Empresa Brasileira de Comunicação). Dois dos seus livros também foram publicados com o selo da BOOKLINK: Parla! e Cuba: Apesar do bloqueio.
Este e outros títulos, podem ser adquiridos no site da editora, em versão em papel e/ ou digital.

 

Mouzar Benedito
Mouzar Benedito
Mineiro de Nova Resende, é geógrafo, jornalista e também sócio fundador da Sociedade dos Observadores de Saci (Sosaci).