Blog do Mouzar

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09 de abril de 2019, 07h26

Minidicionário para os novos tempos

Baseado em ocupantes de alguns ministérios, seus ideólogos e defensores, o Blog do Mouzar apresenta novas definições para determinadas palavras

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Andei publicando neste blogue, há muito tempo, uma coisa chamada pós-conceitos – conceitos que você não vai encontrar em nenhum dicionário.

Agora, vendo ocupantes de alguns ministérios, seus ideólogos e seus defensores, acho que minhas definições são bem momentosas, e que tem gente que vai dizer: “Tá aí um dicionário bom de verdade, não aqueles cheios de fake news escritos por militantes do marxismo cultural”. Aí vão algumas delas:

Papaia – quando um casal homossexual feminino adota uma criança, uma faz o papel de mãe e a outra de pai. Esta usa roupa azul, mas como é mulher, em vez de chamá-la de papai a criança a chama de papaia. É também a forma usada por crianças para chamar o pai que tem ‘trejeitos’ femininos.

Inzoneiro – homem de bem, certinho, que não frequenta zona de prostituição.

Talento – é o que identifica o governo: na educação… tá lento; na saúde… tá lento; na construção e manutenção de estradas… tá lento; no combate ao tráfico de drogas… tá lento. Tá lento em tudo. Mas na questão ambiental não se pode dizer isso do governo: tá rápido pra ceder tudo aos madeireiros, fazendeiros, mineradores… Isso é o que interessa, não é?

Quebra-cabeça – no meio indígena, borduna. Entre os “civilizados”, cassetete. É uma coisa que já foi muito usada e promete voltar à moda.

Casa de tolerância – moradia de gente muito calma e tranquila, bondosa, que dá os outros tudo o que pode.

Ponto G – no croché, é o que dá mais prazer às artesãs, segundo quem entende do assunto.

Diabásio – amontoado de capetas.

Domicílio – lugar para domar pessoas, para que fiquem bem-comportadas.

Malásia – grupo de gente muito chata, verdadeiras malas.

Vincendo – expressão usada quando se quer mudar de vida. Corruptela de “vim sendo”. Ex.: “Vincendo honesto até hoje, mas agora chega… Vou entrar na política, pegar dinheiro dos salários dos assessores…”.

Homenagem – festa pra puxar-saco de homem. Quando a festa é é em louvor a alguma mulher, é mulheragem.

Combustão – mulher peituda

Comunidade econômica – grupo social (comunidade) que gasta pouco, é conhecido pelo pão-durismo. Para alguns, quase toda a Europa forma uma comunidade econômica. Mas a opinião sobre a comunidade mais econômica varia, estando entre as mais votadas a japonesa, a árabe, a judaica, a mineira, a portuguesa, a espanhola, a italiana…

Efeito El Niño – resultado de uma transa sem camisinha: aparece, normalmente, nove meses depois.

Autoridade competente – em alguns lugares, significa joia rara, coisa difícil. Em outros, o mesmo que manga de colete: não existe. Procure no governo…

Galileu Galilei – descobridor da Galiléia, lugar a que deu nome. Povoou a região com judeus e por isso o papa da época andou pegando no pé dele, ameaçando excomungá-lo.

Pretenso – sujeito que vai para uma coisa qualquer com medo. Antes de qualquer coisa, já está tenso.

Vergastar – situação de pobre diante de ricos gastões: só fica vendo e invejando.

Previdência – a vida mundana de certos médiuns antes deles se tornarem videntes.

Doutrina Monroe – ideário cristão de Marilyn Monroe, depois que se converteu a uma igreja evangélica. Ela tentou implantar essa doutrina em toda a América Latina, para evitar a introdução de seitas europeias no continente. Ela criou um slogan adotado por certos brasileiros que se dizem nacionalistas: “A América para os americanos (do Norte)”.

Empresa privada – estabelecimento que sonega impostos, paga mal os empregados, atrasa pagamentos… enfim, pode achar que é uma merda, mas é comum e tende a ser mais ainda.

Breganha – lugar cheio de pessoas bregas trocando opiniões. Às vezes o ponto de encontro é um bar, que é chamado de barganha. Mas pode ser um palácio também.

Leque de alternativas – é aquele que se leva na bolsa, para as emergências. Quando a gente tem que ficar algum tempo num lugar quente que não tem ar condicionado nem ventilador, a alternativa é o leque.

Xinxim – mijo de criança fanha.

Apartamento de cobertura – imóvel de alta rotatividade, usado apenas para “cobrir” donzelas incautas. Teve deputado em Brasília que morava em um apartamento pago pelo governo, mas mantinha um desses…

Fundamentalista – pessoa muito democrática, que não fica se apegando a detalhes, só exige dos outros o que é fundamental. Não sei por que, na escola esse tipo de gente costuma levar bomba.

Desviado – um caso raro: ex-gay. Se você quiser se tornar um, procure algum pastor por aí.

Paupérrimo – doente do pênis. É coisa de pobre, pois rico vai logo ao médico e cura.

Depauperado – homem que fez cirurgia de fimose.

Saudita – gente sadia, que vende saúde. Ou aluga.

Pentecostal – pente de mulher crente, que nunca corta o cabelo e ele fica comprido até as costas. Tem que usar um pente enorme…

Articular – pseudo-arte. Os críticos que seguem a linha olavocarvalhiana, quando veem algum exemplar dela, dizem, por exemplo, “este quadro é um cu”.

Big stick – cacetão, em inglês, é a forma norte-americana de chamar quem tem o pênis grande. Como no Brasil pegou o nome Bernardão para homem com essa qualidade, lá eles chamavam o cara de Theodore Roosevelt, que diziam ser portador de um big stick.

Anauê – via de uso do supositório. Vem da história do médico que receitou o dito-cujo a um sujeito, que não sabia o que fazer com ele e perguntou qual a via de uso, e o médico respondeu: “Anal, uê”. Houve um certo tipo de gente no Brasil que apreciava muito usar supositórios e transformou esta palavra numa senha para se identificarem uns com os outros.

Teoria do big-bang – para certos críticos fanáticos por faroestes, o último grande ciclo de cinema foi o dos bangue-bangues. Depois disso, dizem, o cinema só foi decaindo. Esta é a teoria do big bangue-bangue, que acabou virando só big-bang ou, aportuguesado, bigue-bangue. Para alguns, tal ciclo nunca existiu, é coisa de inventada pelo marxismo cultural.

Vínculo empregatício – vínculo é aquele vinco bem feito, retinho das roupas bem-passadas. É empregatício porque os patrões chatos o exigem de suas empregadas, já que a “senhora esposa” nunca vai perder tempo com isso, não é? Mas isso está acabando, saindo de moda. Tem patrões como esses almejando o fim do vínculo empregatício.

Caderneta de poupança – caderninho pequeno, que a gente carrega no bolso de trás das calças, ou seja, na “poupança”.

Economia doméstica – é o dinheirinho não depositado em banco. Fica em casa mesmo, guardado debaixo do colchão, em algum pote ou escondido no fundo da gaveta.

Empresa idônea – empresa que não tem um dono conhecido, ele a registra em nome de um “laranja” porque já a criou com intenção de fazer mutretas.

Waiver – vai ver… O w no início é só um charme. A gente diz isso em frases como “o Fulano dá uma de machão, waiver é uma boneca…”. Fala-se isso também para cara brabo com os fracos e mansinho com os fortes.

Tiritar – dar tiros, participar de tiroteio. Há pessoas que tremem de medo disso. Azar delas. Com as leis que vêm aí todo mundo poderá ter uma arma e dar seus tirinhos.

Incorporadora – alma do outro mundo que entra no corpo dos outros – isto é, incorpora – e toma conta, domina as pessoas. Mas uma sessão de descarrego em alguma igreja por aí resolve…

Vicejante – político ainda meio verde, que não dá pra concorrer ao cargo principal e tem que se contentar em ser vice. Muitas vezes sai melhor do que esperava: um golpezinho o coloca no cargo sonhado.

Obsceno – uma das divisões da era geológica chamada cenozóico, que começou há 65 milhões de anos e rola até hoje. São vários os períodos dessa era, entre eles o Oligoceno, o Mioceno e o Holoceno, que durou até há poucos anos. O Obsceno começou em datas diferentes em cada país. No Brasil, foi em 1964 e parecia que ia acabar em 1985, mas continua firme.

Rousseau – russo, em francês. É um xingamento direitista do tempo em que a Rússia era comunista, contra as pessoas que ficavam fazendo discurso contra a desigualdade.

Recepção calorosa – maneira de receber inimigo: a gente passa fogo nele. Quer coisa mais calorosa? É outra coisa que vai ficando cada vez mais na moda.

Impostor – cobrador de impostos. Muita gente não gosta de impostor, acha que sempre é um enganador, que se passa por outra pessoa e te ferra. Aliás, acham que toda a impostura, quer dizer, cobrança de impostos, é uma falsidade, um fingimento: fingem que o dinheiro vai para educação, saúde e outras coisas mas tem muito desvio.

In saecula saeculorum – as pessoas repetem isso eternamente, há séculos, sem saber o que significa. Eu também não sei. Dane-se.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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