Blog do Mouzar

O que o brasileiro pensa?
12 de dezembro de 2019, 23h59

Nem balanço nem previsões: só cutucões

Em função da atual situação do país, o Blog do Mouzar se recusa a fazer retrospectiva ou projeções: “Balanço de 2019, no Brasil, argh! Previsões para 2020? Tô fora”

Todo fim de ano, há colunistas de jornais e revistas que fazem um balanço do ano que passou e algumas previsões para o que virá.

Balanço de 2019, no Brasil, argh! Previsões para 2020? Tô fora.

Preferi me lembrar de umas “pílulas” que andei publicando por aí, há anos, e que acho adequadas para o momento. Procurei, entre meus escritos, alguma coisa sobre a Terra plana. Não achei… Mas achei outras coisas tão desimportantes quanto. São muitas, mas não precisa ler tudo de uma vez, né?

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Papai Noel comunista? A figura do Papai Noel (Santa Claus, nos EUA) foi criada em Nova York, no final do século XIX, por um cartunista de origem alemã. Originalmente, sua roupa era azul. A Coca-Cola adquiriu o direito de usar o personagem na sua propaganda e trocou a cor da roupa para vermelho, que era a cor “oficial” da propaganda dessa beberagem.

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Paulo Guedes, sinistro da Fazenda, quer um “liberou geral” na economia. Vê qualquer proteção à indústria brasileira como uma desgraça. Então, aí vai uma historinha de protecionismo pra valer: na Inglaterra, numa época em que o comércio de tecidos de lã estava em decadência, foi criada uma lei que determinava que os mortos só podiam ser enterrados envoltos em uma mortalha de lã. Essa lei durou quase 150 anos, e foi revogada em 1814.

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Dos 513 deputados federais e 91 senadores que existem no Brasil, em gestões passadas, poucos subiram à tribuna para falar qualquer coisa. O chamado baixo clero era uma maioria silenciosa. Agora, esse pessoal que não tem nada a dizer sobe e diz asneiras direto. Então, me lembrei de Isaac Newton, descobridor da lei da gravidade. Ele fez parte do parlamento inglês, e sua única fala foi um pedido para que abrissem a janela.

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Quem põe a mão no fogo para os poderosos do momento que propagandeavam que iriam acabar com a corrução? Num certo período da Idade Média, na França, para se saber se algum acusado de qualquer coisa falava a verdade ou não, ele era obrigado a agarrar com a mão direita uma barra de ferro em brasa e caminhar dez passos com ela. Acreditava-se que, se a pessoa fosse inocente, Deus curaria as queimaduras em três dias. Daí surgiu essa história de dizer “que pelo fulano eu ponho a mão no fogo”.

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Até 1814, sabe quanto ganhava um deputado ou senador nos Estados Unidos? Eram 6 dólares por dia, mas só nos dias em que o Congresso funcionava.

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Em 1855, Pereira da Silva era um dos 103 deputados federais brasileiros. Ele declarou que era exagerado o número de 95 funcionários que tinha a Câmara Federal.

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Esta vale para fanáticos de seitas religiosas que veem pecado em tudo: quando a anestesia começou a ser usada em partos, no final dos anos 1840, os igrejeiros de então ficaram contra, dizendo que, segundo a Bíblia, Deus disse a Eva: “Darás à luz a teus filhos com sofrimento”, por ela ter provado o fruto proibido… Epa! Foi Adão que provou o “fruto proibido” dela, não?

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A mamadeira foi inventada e patenteada em 1845 pelo gringo Elijah Pratt, mas só começou a ter boa aceitação no início do século XX. E a mamadeira de piroca, coisa do século XXI? Bolsonarices.

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Esta é de fazer certos pastores e bispos por aí babarem de ódio: em 1954 foi fundada em São Francisco (EUA) a Universidade de Lavander, destinada a homossexuais, tendo entre seus cursos literatura grega, metafísica e a arte de pegar carona.

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Esta vai para a sinistra “terrivelmente cristã”. Adão e Eva existiram? Bem, há várias versões sobre a “criação” do homem. Na versão dos ciganos, Deus cozinhou o homem e a mulher num forno. Na primeira tentativa, deixou assar demais e surgiram os negros. Na segunda, assou de menos e resultou nos brancos. Aí fez na medida certa e saíram com a cor legal, dos ancestrais dos ciganos.

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Esta é para quem diz que na ditadura não havia corrupção. Diz sabendo que está mentindo, claro. Era demais, mas a imprensa estava amordaçada. Um exemplo é a construção da ponte Rio-Niterói. Vazou a informação de que o custo dela foi onze vezes o custo real, quer dizer, o dinheiro que dava para fazer mais dez iguais foi para os cofres dos corruptos, mas a imprensa não divulgou nada. Só o Pasquim, gozador, publicou uma foto da ponte com uma legenda sugestiva, dizendo mais ou menos o seguinte: “Ilusão de ótica: onde vocês veem uma ponte, são onze pontes”.

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Hipocrisia é coisa que não falta no Brasil de hoje. E me lembrei de uma vinda da gringolândia. Durante a Lei Seca, nos Estados Unidos, a população dizia que “o Congresso vota seco e bebe molhado”, porque os mesmos políticos que em público apoiavam e aplaudiam a lei, bebiam à vontade. Até o presidente Warren Harding bebia. Calcula-se que havia cerca de 200 mil bares que vendiam bebidas alcoólicas ilegalmente, e desses cerca de 32 mil eram Nova York.

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A oposição é baderneira? Oba! Uma bailarina italiana, linda e sensual, provocou furor no Rio de Janeiro, em 1851. O nome dela era Marietta Baderna, e seus fãs exaltados passaram a ser chamados inicialmente de badernas, e depois de baderneiros. Foi assim que baderna virou sinônimo de bagunça, confusão. Viva a Marietta! Viva a baderna!

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Quando se tornou claro que a escravidão negra não duraria mais muito tempo no Brasil, os “barões do café” chegaram a pensar em trazer chineses para substituir os negros. Eles seriam “contratados” por um tempo determinado, o que seria na verdade uma escravidão temporária, com eles mal pagos e maltratados. Só desistiram da ideia porque tinham ideias muito racistas quanto aos chineses, diziam que eles eram “gente lasciva ao último grau”, de péssimos costumes, ladrões, indolentes, que só trabalhavam bem depois de apanharem bastante.

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Esta é para o secretário da incultura pensar: durante a Segunda Guerra Mundial, Goebels, Ministro da Propaganda de Hitler, chamou os cineastas alemães e passou um filme para eles, dizendo que queria filmes como aquele para inflamar seu povo. O filme era o Encouraçado Pontenkim, de Sergei Eisenstein. Mas faltou uma coisa aos cineastas alemães: o fervor revolucionário. Eisenstein, fez um filme para uma causa que apoiava…

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Quer que algum pinguço pare de beber? Veja uma receita popular (nunca soube que alguém a usou): misturar leite de cachorra na pinga e dar pra ele beber. Ele vai ter um baita enjoo, vomitar bastante e nunca mais vai querer bebida alcoólica. Outras receitas com o mesmo resultado são colocar na pinga moela de urubu torrada, ou então umbigo de bebê do sexo feminino (aí não precisa torrar, é só deixar uns dias curtindo).

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Nestes tempos de cagadas mil, vale lembrar: o vaso sanitário foi inventado pelo inglês Sir John Harrington, em 1596.

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O que dizer para um político “defensor da família”, mas que trocou várias vezes de mulher? E para a mulher que se casou com ele depois? Até 1977, não havia divórcio no Brasil. Havia desquite, que era uma separação legal, mas sem romper o vínculo matrimonial. Quem se desquitava não podia se casar de novo. Só em 26 de dezembro daquele ano é que se tornou lei um projeto apresentado pelos senadores Nelson Carneiro e Accioly Filho, instituindo o divórcio. Antes disso, quem se separava e quisesse casar de novo, ia ao Uruguai, que casava brasileiros desquitados. Mas se homem desquitado que se casava no Uruguai era aceito com certa normalidade, com mulher não era assim. “Casada no Uruguai” era um adjetivo pouco recomendável para elas. Mulher “honesta”, segundo a sociedade preconceituosa, não fazia isso.

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Proíba-se essa depravada nos restaurantes! A ostra geralmente é bissexual. No início da vida, é macho, depois vira fêmea e em seguida volta a ser macho. Pode se tornar fêmea e voltar a ser macho várias vezes.

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Darcy Ribeiro, falou algo que vale muito bem como resposta aos que venceram as eleições e acham que por isso podem destruir tudo o que já foi feito, como é o caso do sinistro da falta de educação: “Fracassei em tudo na vida. Tentei alfabetizar as crianças, não consegui. Tentei uma universidade séria, não consegui. Mas meus fracassos são minhas vitórias. Detestaria estar no lugar de quem venceu”.

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É só ligar a TV que tem alguém que se julga bem-sucedido dizendo que venceu porque lutou e que todo mundo pode “vencer” na vida. Isso me lembra uma máxima atribuída (por uns) ao Barão de Itararé e (por outros) ao Luís Fernando Veríssimo: “Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outras”.

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Uns se degradaram, mas mantiveram a aparência humana: antes de Charles Darwin, houve uma espécie de anti-Darwin que imaginou algo como uma “involução” das espécies, em vez da evolução darwiniana. Georges de Buffon (1707-1788), naturalista francês, pensava, entre outras coisas, que o macaco era um homem degradado, e o jumento a degradação do cavalo.

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Tem recomendação até para tornar alcoólatras uns animais domésticos! Seu cachorro ou gato tem pulgas? Um bom jeito de fazer que elas pulem fora dos bichos é acrescentar levedo de cerveja na comida deles. Depois que o cachorro ou gato ingere levedo de cerveja, solta um cheirinho que as pulgas odeiam.

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Um bom exemplo, coerente como uns e outros aí: Al Capone era anticomunista radical e certa vez discursou contra o comunismo dizendo: “Devemos conservar a América íntegra, segura e intacta”.

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Ciência pra quê? O governo atual tem a quem seguir. Lavoisier era desafeto de Jean-Paul Marat. Quando este revolucionário francês se tornou um dos líderes radicais da Revolução, conseguiu que o químico fosse guilhotinado, em 1794. Foram feitos vários apelos para poupar a vida de Lavoisier, mas o juiz que o condenou manteve a pena, argumentando que “a Revolução não precisa de homens de ciência”.

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Assim falou Capistrano de Abreu: “Assassinar chefe político é operar canceroso; extraído aqui o cancro, reaparece além, em parte mais nobre, e mais virulento”.

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Eles têm razão em impedir que velhos se aposentem! Velho aposentado costuma jogar dominó, e isso, acreditem, é coisa de comunista chinês. O jogo de dominó tornou-se conhecido na Europa no século XVIII, mas acredita-se que ele tenha sido criado na China séculos antes. A lenda é que o herói Hung Ming criou o jogo para distrair seus soldados.

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Moralistas… Jânio Quadro foi um deles. Falava em varrer a corrupção (como uns e outros aí) e suas campanhas tinham um jingle que dizia: “Varre, varre, vassourinha. / Varre, varre a roubalheira / que o povo já está cansado / de sofrer dessa maneira”. Mas o Barão de Itararé ironizou, propondo mudança da letra: “Varre, varre, vassourinha. / Varre, varre a roubalheira. / Varre a dos outros / mas varre também a minha”.

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Atual pra chuchu! Assim falou Getúlio Vargas, quando lhe perguntaram sobre a qualidade dos ministros de seu governo: “Uns não são capazes de nada. Outros são capazes de tudo”.

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Tem religioso que acha preferível que um doente morra a ele ser curado por um remédio à base de um derivado da maconha. Lembre-me de uma frase de Carlito Maia que não tem nada a ver com isso: “Evite o tráfico. Plante em casa”.

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Falando em Carlito Maia, ele era mineiro. E como eu também sou, repito uma máxima dele: “Mineiro não fica louco. Piora”.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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