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22 de julho de 2015, 11h23

Sacaneando Dalton, Alzheimer e Parkinson

No domingo, saiu uma matéria interessante na Folha de S. Paulo, sobre daltônicos.

Claro que todos os leitores devem saber o que é daltonismo, mas explico resumidamente: é um distúrbio hereditário e incurável na visão, relacionado à percepção das cores. Segundo a matéria, 8% dos homens têm esse problema. Mulheres são poucas.

Nisso elas levam vantagem, como em muitas outras coisas. Por exemplo: mulheres não são hemofílicas. Transmitem aos filhos homens, mas elas mesmas estão livres disso. E há outros pontos de vista sobre as vantagens de ser mulher: um amigo considera o fato delas não terem próstata a vantagem maior. E é comum também ouvir gente falando da maravilha que é não broxar. Mulher não tem esse problema. Mesmo sem nenhuma vontade, sem tesão, pode ter uma relação sexual que agrade ao parceiro. Já o homem, sem ereção não vai, não é? Não tem como fingir.

Bom, se começar a lembrar dessas coisas, logo alguém vai protestar dizendo que homem não sabe o que é cólica menstrual, TPM etc. Voltemos à matéria da Folha.

Ela mostra um tatuador excelente, que é daltônico, e pergunta aos clientes sobre as cores das tintas que vai usar. Um pintor também daltônico não pergunta nada, usa as cores como vê, sua arte é de acordo com sua percepção.

Pensando nos que perguntam, lembrei-me de um antigo colega de trabalho, que tinha o apelido de Baguinho.

Não era do tipo de daltônico mais comum, que enxerga de forma semelhante as cores verde, vermelho e marrom. Era do tipo, digamos assim, mais radical: não enxergava cor nenhuma, era em branco e preto, com tons de cinza.

E por isso era sacaneado por muita gente. Por exemplo: um dia, numa reunião com um grupo de trabalho recém-formado, com todo mundo sentado em círculo, de modo que todos viam todos, um colega sentou-se ao lado dele e cochichou: “Você está com uma meia vermelha e outra verde”.
Ele ficou muito incomodado durante toda a reunião, tentando sem sucesso puxar as pernas das calças para baixo, para esconder as meias, que na verdade eram cor de cinza.

Em várias situações ele tinha que perguntar sobre as cores. Para comprar roupas, queria cores discretas e um dia levou com ele um colega, para indicar as mais adequadas. Saiu da loja com uma calça roxa e uma camisa rosa-choque. Quando chegou no trabalho de roupa nova, no dia seguinte, foi uma festa para os colegas malvados.

Um problema para o Baguinho era que ele gostava de carros, sonhava com a possibilidade de dirigir e queria tirar carteira de motorista, mas sem distinguir as cores, ficaria confuso nos semáforos.
Como o oftalmologista autorizado a fazer exames de vista não fazia testes sobre cores, só observando se ele enxergava bem as letras de diversos tamanhos, passou no exame.

Aprendeu, então, que nos semáforos o verde ficava no alto, o amarelo no meio e o vermelho embaixo. Para tirar a carteira, fez os percursos direitinho, parando nos sinais vermelhos e avançando nos verdes, e passou.

Logo que recebeu a carteira, pegou um carro da família e saiu para passear.

A alegria de dirigir durou poucos minutos: numa esquina havia um semáforo no sentido horizontal. E aí? Qual era a posição das cores? Acreditou que o sinal estava verde e avançou. Mas estava no vermelho. Deu uma baita batida e teve que pagar o conserto dos dois carros. Por sorte não se machucou. Mas desistiu de dirigir, de vez.

Então, não distinguir as cores é problemático, em muitos casos. Mas na matéria da Folha, um daltônico fala de um conceito exposto pelo seu avô, também daltônico: “Essa coisa de cor é frescura”.

Homenagens bestas e não bestas

Muitos distúrbios ou doenças ganham o nome de quem os descobriu. Não é desses casos que estou falando como “homenagens bestas”, embora eu ache esquisito ter o nome vinculado a um mal qualquer. Só que esses cientistas estavam pesquisando e descobriram o mal, não provocaram. E se pudessem descobririam também a cura.

O que acho homenagem pra lá de besta não tem nada a ver com isso, mas me veio à lembrança ao tratar de nomes de doenças, é nome de presídio. Acho que normalmente são “homenagens” a delegados ou juízes. É comum, viajando pelas estradas paulistas, ver uma baita construção estranha e uma placa indicando a entrada: “Penitenciária Dr. Fulano de Tal”. Bem, juízes e delegados podem ter mandado muita gente pra cadeia, então até que pode ser válido. Mas tem situações que me parecem totalmente absurdas.

É quando o presídio tem um nome qualquer mas torna-se mais conhecido pelo nome da rua ou avenida em que se situa. Por exemplo: em São Paulo, havia o Presídio Tiradentes; no Rio de Janeiro, o Presídio da Frei Caneca. Ora, Tiradentes e Frei Caneca, duas pessoas que combateram pela liberdade e morreram por ela, virar nome de cadeia? Bem… Tem coisa mais esquisita. Um presídio político do Uruguai chamava-se “Presídio de la Libertad”.

Agora voltemos aos cientistas que viraram nomes de doenças ou outros problemas de saúde. São muitos os males ou doenças que se enquadram nessa história. Por exemplo: doença de Crohn, doença de Graves, doença de Wilson, doença de Huntington e doença de Gaucher. Certo, todas elas pouco conhecidas. Mas tem a leptospirose, como a conhecemos aqui, que em outros lugares é conhecida como mal de Well ou mal de Adolph Well.

Falei das doenças menos manjadas, mas tem as famosas…

O próprio daltonismo, também chamado de discromatopsia ou discromopsia, tem esse nome por causa do seu descobridor, o químico inglês John Dalton.

Aqui no Brasil, temos o mal de Chagas, ou doença de Chagas, que tem esse nome por causa do seu descobridor, o mineiro Carlos Chagas. Tecnicamente, esse mal é conhecido como Tripanossomíase americana.
E para completar, dois males que atacam os velhos cada vez mais: Alzheimer e Parkinson.

O mal de Alzheimer tem esse nome porque foi descoberto pelo alemão Alois Alzheimer, que morreu em 1917. Gozado é que até há pouco tempo, os velhos ficavam ranhetas, neurastênicos, sistemáticos e, parecido com os sintomas do Alzheimer, caducos. Mas caduquice não tinha, ou pelo menos não parecia ter, a intensidade degenerativa dos tempos atuais. Ficar um tanto desmemoriado (na minha memória) era o máximo que acontecia com os caducos. E depois que se popularizou o nome mal de Alzheimer, parece que a doença foi se tornando cada vez mais comum.

O mal de Parkinson foi descoberto pelo médico inglês James Parkinson, em 1817, e seu sintoma mais visível é a tremedeira nas mãos, mas tem um monte de complicações.

Uma das poucas coisas divertidas que sei de Ronald Reagan, se não a única, é que quando foi diagnosticado com o mal de Alzheimer ele disse algo como: “Que bom. Todo dia vou conhecer gente nova”.

E como nem os males e doenças escapam das piadas no Brasil, tem a história de um cara, logicamente apreciador de cerveja. “Comparando” o mal de Parkinson com o de Alzheimer, disse que o mal de Alzheimer era melhor do que o de Parkinson. Por quê?, perguntaram. E ele respondeu: “É muito melhor esquecer de pagar a conta do que derramar a cerveja com aquela tremedeira”.

Enfim, aproveitemos enquanto não aparece uma trolha dessas para atrapalhar o resto de vida da gente.


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