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25 de novembro de 2019, 08h08

A derrota progressista no Uruguai e a democracia na América Latina

O que acontece por aqui é o avanço do mais sórdido extremismo financiado por organizações e países que não querem que este continente avance de forma independente. E que para cumprir essa missão está disposto a tudo

Lacalle Pou e Daniel Martinez - Foto: Reprodução

Ainda não se pode cravar que Lacalle Pou ganhou a eleição no Uruguai. Encerrada a apuração, ele teve 30 mil votos a mais do que o frenteamplista Martinez. Mas ainda faltam apurar 35 mil votos em separado, que são de eleitores que votaram no país, mas fora de sua zona eleitoral. Em geral, moram na Argentina e no Brasil e foram a uma zona de fronteira só pra exercer seu direito cidadão.

Apenas 30 mil votos com 35 mil ainda por apurar e vai haver recontagem. Porque a diferença exige.

Mesmo assim, todas as lideranças da Frente Ampla fizeram discursos democráticos e saudando o processo. Sem colocar seus apoiadores em fúria. Sem questionar o pleito. Sem pedir quebra-quebra.

Diferentemente de Aécio Neves em 2014, diferente dos perdedores da Venezuela e Bolívia. Dos perdedores no Paraguai e em Honduras. Entre tantos outros.

Há uma diferença imensa do quanto de apreço a direita e a esquerda têm à democracia.

A direita não tem aceitado resultados de eleições. Na Bolívia, por exemplo, se há dúvida se Evo Morales ganhou de Mesa com mais de 10% do votos para definir a eleição em primeiro turno, não há nenhuma sobre ele ter tido mais votos que seu adversário.

Mesmo assim o questionamento lá não foi sobre a realização desta eleição, mas sobre todo o processo. Levando o país a uma ditadura sanguinária.

A perseguição a Lula, Cristina Kirchner, Rafael Correa, Lugo, Zelaya e agora Evo fazem parte desta ação violenta continental.

O golpe contra Dilma idem.

Mas tem um tal centro e uma suposta esquerda que não aceita sequer essa terminologia: golpe.

Para eles o que acontece na América Latina é fruto de uma certa polarização. Coisa de extremos.

A eleição no Uruguai e o comportamento da Frente Ampla voltam a derrotar essa tese.

O que acontece por aqui é o avanço do mais sórdido extremismo financiado por organizações e países que não querem que este continente avance de forma independente. E que para cumprir essa missão está disposto a tudo.

Se a diferença no Uruguai fosse ao contrário, o país estaria em chamas hoje. Porque a democracia vigente só serve para as vitórias dessa gente. E com a anuência da OEA.

Antes de pensar na próxima eleição, é preciso pensar em como se pode derrotar isso. Ou elas não valerão muita coisa. Como em outra já não valeram.

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