A despedida do Nocaute e do Conversa Afiada e a vida como ela é

Leia no Blog do Rovai: É um momento triste, mas que deveria ser também um momento de reflexão

Perdemos nesta última semana de julho dois importantes veículos da mídia progressista. Dois veículos que foram criados por dois dos mais brilhantes jornalistas de suas gerações, Fernando Morais e Paulo Henrique Amorim.

A notícia dolorosa traz consigo uma necessária reflexão. O que está acontecendo com a mídia progressista? Por que tão importantes sites não são financiados por recursos de leitores e entidades que tanto deles precisaram e precisam? Por que tanto dinheiro é desperdiçado em projetos que não ficam em pé e aqueles que já existem são descartados?

É preciso que se abra este debate com um pouco mais de generosidade e solidariedade. Porque a esquerda tem sido muito umbilical e muito pouco coletiva.

Não é nada fácil manter um projeto de comunicação de pé sem apoio de entidades nacionais ou internacionais.

São poucos os sites que têm conseguido essa façanha. E quando o fazem isso se dá à custa de enorme investimento pessoal daqueles que os lideram.

Não tenho dúvida que Paulo Henrique e Fernando Morais botaram a mão no bolso pra levar o projeto adiante.

E que perderam muitas noites de sono fazendo contas e tocando o telefone pra pessoas que pudessem colaborar com seus projetos.

Quantos nãos ouviram? Centenas? Milhares?

Sim, porque a vida como ela é, plagiando Nelson Rodrigues, não cabe nas planilhas que muitos desenham sem colocar a mão na massa.

A vida é dura, hermanos.

E tem a ver com o pouco que acumulamos de avanços na democratização das comunicações por um lado. E do pouco que ainda avaliamos como importante o trabalho que alguns sites e blogues fazem.

Eles que se virem! Que a gente aqui precisa é cuidar da nossa corporação.

A vida é dura, hermanos.

São poucos aqueles que percebem o quão se faz necessário fazer comunicação para além de partidos e entidades de classe. São poucos e são grandes. Muito grandes. E na Fórum temos o apoio de alguns deles.

Se fossem muitos, provavelmente não teríamos o Nocaute e o Conversa Afiada dando adeus.

É um momento triste, mas que deveria ser também um momento de reflexão.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.