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14 de fevereiro de 2020, 07h29

A vida é dura: Veja parte para o ataque contra Flávio Dino

Nada mais falacioso, porque a matéria não comprova isso. De qualquer maneira serve como aperitivo do que sofreria o governador do Maranhão, caso ele já fosse escolhido como candidato a presidente do campo progressista neste 2020

Lula e Flávio Dino (Reprodução/Twitter)

Uma reportagem da Veja, que vai às bancas nesta semana com uma capa horrenda mostrando fotos do cadáver de Adriano da Nobrega, traz uma reportagem com o seguinte título: “Flávio Dino, nova estrela da esquerda, não brilha no governo do Maranhão”.

Nada mais falacioso, porque a matéria não comprova isso. De qualquer maneira serve como aperitivo do que sofreria o governador do Maranhão, caso ele já fosse escolhido como candidato a presidente do campo progressista neste 2020.

O ataque não é sem motivo. O Instituto Atlas Político fez para o El País uma pesquisa em que Dino aparece com 13% dos votos num cenário em que disputa com Jair Bolsonaro (41%); Luciano Huck (14%) e João Dória (2,5%).

É um caminhão de votos para um governador de um pequeno partido e de um estado pobre. Huck está há décadas na TV e Dória é governador de São Paulo. Estando correta esta pesquisa, se Lula abençoasse Dino como o Papa fez com ele, o maranhense pularia para 25, 30%.

Mas a vida não seria nada fácil para ele se isso acontecesse já, mesmo estando a frente de um case de sucesso.

Em todas as pesquisas comparativas de governadores, Dino sempre aparece como um dos 3 mais bem sucedidos. E sucesso à parte, diga-se, em geral se reveza com Rui Costa e Camilo Santana, ambos do PT.

Mas, Veja viu um governo sem brilho ao visitar o estado. E falou que o desemprego cresceu por lá. Haja paciência. O desemprego cresceu absurdamente no Brasil inteiro. E os estados mais pobres, evidentemente, são os mais afetados.

Veja registra que “o Maranhão viu melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e os indicadores de educação. A morte de mulheres após o parto caiu, assim como os homicídios”, mas “no Maranhão, entre outras carências graves, 88% da população não tem acesso a tratamento de esgoto”.

Percebam a falácia: De quanto era esse índice antes de Dino assumir? Veja não coloca isso na matéria. Como se antes dele houvesse saneamento em todas as casas graças ao legado do império Sarney.

Outro fato que leva Dino a “não ter brilho” é que ele não estaria fazendo um governo com superávit fiscal. Bolsonaro pedalou R$ 55 bilhões, mas não virou capa de Veja e Guedes não foi criticado, mas Dino não brilha por não fazer superávit.

Moral da história, Dino tem que continuar tocando seu tambor e criando espaço para uma candidatura a presidência. Haddad tem que fazer o mesmo. Seria bom que Ciro Gomes se reaproximasse deste campo e também entrasse nesta dança. E se possível que mesmo Rui Costa e Camilo Santana também tomassem mais gosto pelo Planalto. Porque esta não é uma corrida de 100 metros.

As últimas pesquisas já mostraram que Bolsonaro tem café no bule. Que vai ser muito mais difícil despachá-lo do cargo do que alguns imaginavam. E como costumamos viver um efeito Orloff, o que se passou na Argentina pode vir a acontecer aqui. Ele pode sair forte das eleições municipais. O que não será o fim do mundo.

Com Macri foi assim. Ele ganhou a eleição intermediária do seu mandato e depois tomou pau no primeiro turno. Mas, para isso Cristina teve que criar uma chapa com ela de vice de Alberto Fernandez.

Dino diz à Veja que se não for candidato a presidente sai ao Senado.

Não deveria nem ter falado com a Veja, mas já que falou não deveria ter tido isso. Ainda é muito cedo para esses devaneios.

Dino tem que se colocar como um nome para uma grande frente, onde ele tem que ser o que for melhor para o Brasil. Candidato a presidente, a vice, a senador, a deputado ou a nada. É o momento de todos agirem deste jeito. E depois de tirar o Bolsonaro, aí sim, os projetos pessoais podem voltar a fazer sentido. O que é justo. Neste momento, o justo é pensar e agir como Cristina.


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