sábado, 19 set 2020
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Assassinato de miliciano próximo a Bolsonaro pode levar Queiroz a falar

A morte de Adriano da Nobrega não pode ser atribuída aos Bolsonaros. É leviano fazê-lo quando ainda não há provas cabais.

Mesmo que coincidentemente Eduardo Bolsonaro tenha escolhido entre os 27 estados e as quase 6 mil cidades do Brasil, exatamente Salvador pra ir visitar no final de semana em que o ex-capitão foi assassinado por lá.

Mesmo que Adriano tenha tido relação muito próxima à família, tendo ex-esposa e mãe nomeadas no gabinete de Flávio Bolsonaro por mais de uma década e se tornado um arquivo vivo das relações dela com o universo das milícias.

Mesmo que o assassinato tenha se dado numa fazenda de um vereador do PSL, quando existem milhares de fazendas que não são de políticos naquela região.

Enfim, indícios não são provas. Mas também não podem ser desprezados. Há uma investigação a ser feita e ela é que tem que chegar a conclusões objetivas.

E por onde você começaria essa investigação, caro Watson?

Evidentemente que qualquer detetive de porta de cadeia sugeriria aos delegados do caso irem atrás de Fabricio Queiroz, o homem das rachadinhas e que foi protegido por Adriano da Nobrega quando seu caso estourou na mídia.

Queiroz é a pessoa que pode trazer à tona os segredos de Adriano e também é quem pode explodir o esquema da família Bolsonaro.

Neste momento ele deve estar refletindo qual o melhor caminho a tomar. Pense como Queiroz, depois do assassinato de Adriano o que você faria? Continuaria se escondendo como um rato de esgoto ou faria um acordo com o Ministério Público para delatar e entrar num programa internacional de proteção de testemunhas?

Não é uma decisão fácil. Porque Queiroz não deve temer só por ele, mas também pela sua família, já que a esposa e as filhas também poderiam sofrer as consequências tanto da da máfia como da própria lei, afinal cometeram crimes ao serem funcionárias fantasmas de gabinetes públicos.

A situação de Queiroz é muito delicada e ele deve estar com uma pulga do tamanho de um elefante atrás da orelha. A morte de Adriano da Nobrega não tem como não ser lida por ele como um prenuncio do que o futuro lhe reserva.

Queiroz está hoje muito mais propenso a falar do que estava no sábado, por exemplo.

Deputados deveriam começar desde hoje a reunir assinaturas para uma CPI das milícias e convidar urgentemente Queiroz para falar.

Porque Queiroz pode falar.

Renato Rovai
Renato Rovai
Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.