Ataque de pelancas não leva ao golpe e nem à ditadura

Não há risco de golpe à vista. Como também não parece haver condições para um impeachment. Mas o impeachment ainda parece algo mais próximo da realidade do que um autogolpe de Bolsonaro.

A nota do Procurador Geral da República, Augusto Aras, falando de Estado de Defesa em caso de crise política mais grave em meio à pandemia, levou muita gente a ficar preocupado com a reação de Bolsonaro a uma crise de popularidade e natural crescimento dos protestos de rua.

Não é uma preocupação de todo desconectada da realidade. O Brasil de fato é um país de golpistas e há grupos que estão defendendo abertamente que o presidente jogue mais duro, mas há outros elementos no jogo.

Bolsonaro perdeu apoio no judiciário, entre empresários, na classe média, no setor financeiro e mesmo entre políticos e militares desde que assumiu o governo.

Suas condições para implementar uma ditadura ou algo próximo a isso eram maiores no começo de 2019 do que hoje.

Atualmente o que está crescendo é o antibolsonarismo, um movimento que vai da extrema direita à extrema esquerda e que se alimenta das atitudes do presidente que vão gerando cada dia mais adversários e inimigos.

Bolsonaro e seu entorno estão apavorados com isso. Com este anticampo político que pode lhe cobrar um alto preço daqui a algum tempo.

E por este motivo tem tido seus ataques de pelanca. Aliás, cada vez menos frequentes o que também de alguma forma mostra que ele já não está mais seguro do que faz.

Vale também prestar atenção que figuras como o general Heleno, Braga Neto e Luís Eduardo Ramos saíram de cena. Suas aparições são cada vez mais raras. Do núcleo militar, quem tem dado mais a cara é o general Pazuello, que parece um sargento Garcia a acompanhar um Zorro ensandecido e caricato.

Não há risco de golpe à vista. Como também não parece haver condições para um impeachment. Mas o impeachment ainda parece algo mais próximo da realidade do que um autogolpe de Bolsonaro.

É preciso tomar cuidado com avaliações exageradas porque elas acabam resultando em ações políticas equivocadas.

As ameaças golpistas de agora são mais ataque de pelanca do que algo com algum nível de consequência.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.

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