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21 de fevereiro de 2018, 09h14

Alckmin deixa Doria ser candidato ao governo, mas não necessariamente para ganhar

Alckmin terá as duas candidaturas mais fortes ao governo do maior Estado da federação lhe apoiando para a disputa presidencial. E ambas terão poder de atrair quase todos os outros atores da disputa.

Ontem o PSDB de São Paulo aprovou a antecipação das prévias para a escolha da candidatura ao governo do Estado. A mídia tradicional tratou o episódio como uma vitória de João Doria, prefeito da capital, e que estava ameaçando sair do partido se as prévias não fossem realizadas antes do prazo de desincompatibilização dos atuais detentores de cargo público.

O prefeito, se quiser ser candidato, terá de renunciar até o dia 2 de abril. Se as prévias fossem marcadas para depois e ele viesse a perdê-las, teria entregado o cargo para nada.

Os outros candidatos tucanos,  José Aníbal, Floriano Pesaro e Luiz Felipe D’Avila pressionavam por isso, para emparedar o prefeito. Doria, forçava a barra dizendo que se as prévias ficassem pra depois de vencido o prazo da desincompatibilização, ele migraria para o DEM. E neste caso, para ser candidato a presidência da República, o que poderia criar problemas para a candidatura Alckmin ao Palácio.

Num lance muito mais inteligente do que a interpretação dos analistas, Alckmin fez parecer ter fechado com Dória, mas ao fim e ao cabo fechou foi com ele próprio.

Ao mudar a data das prévias, Alckmin praticamente permite que Dória saia candidato ao governo do Estado pelo seu partido. Ou seja, o prefeito vai se desincompatibilizar no final do mês que vem. E a prefeitura passará às mãos de Bruno Covas, que tem sido fiel escudeiro do prefeito, mas que de origem é mais fiel ao governador.

Ao mesmo tempo, Alckmin se desincompatibilizará e deixará o cargo para Márcio França (PSB), também fiel a ele e que não terá como trai-lo, porque se o fizer perderá boa parte da sua força política para disputar a sucessão.

Doria irá para a disputa do governo também tendo que fazer a campanha da Alckmin. Ou seja, seu campo estará unificado no estado, sem rachas ao menos no início da disputa.

O que isso significa? Que Alckmin terá as duas candidaturas mais fortes ao governo do maior Estado da federação lhe apoiando para a disputa presidencial. E ambas terão poder de atrair quase todos os outros atores da disputa. Russomano, por exemplo, tende a ficar com uma delas ao invés de disputar o governo. Mesmo Skaf pode avaliar que é melhor sair ao Senado por um desses dois barcos ao invés de tentar o governo de novo.

Sendo assim, Alckmin poderá deixar os barcos navegarem e lá na frente desequilibrar o jogo em favor de um deles.

Se a eleição fosse hoje, aposto que jogaria suas fichas em Márcio França. Que lhe tem sido muito mais leal. Se isso vier a acontecer, Doria terá de voltar a organizar encontros de bacanas na Ilha de Comandatuba. E terá tido a carreira política mais meteórica dos últimos tempos.

É o que no íntimo, Alckmin gostaria de lhe oferecer algo similar ao que aconteceu com ele quando foi rifado por Serra na disputa da prefeitura de São Paulo, um prato de vingança. Até porque como diz o ditado, vingança é um prato que se come cru.


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