Blog do Rovai

12 de setembro de 2012, 20h00

Análise rápida das pesquisas Datafolha de SP, Rio, BH, PoA e Recife (parte 2)

No dia 21 de julho, como o leitor pode checar aqui fiz o que chamei de uma análise rápida das pesquisas Datafolha SP, Rio, BH, Poá e Recife. Publico aquele texto com atualização a partir dos resultados divulgados hoje. Vou utilizar este método até o fim da eleição, correndo o risco óbvio de errar na análise de previsões futuras, mas buscando ajudar àqueles que passam por aqui a entender alguns movimentos eleitorais. Leitura de pesquisa não é algo tão complexo como parece. Mas atualmente os “analistas” da mídia tradicional têm preferido usá-las para fazer discurso. Hoje, por exemplo, há gente destacando a “estagnação” de Haddad como o fato político deste Datafolha. Quando a notícia é primeira queda de Russomanno e a rejeição recorde de Serra. Enfim, sigamos.

O texto do dia 21/7 vai em letra normal e o atual em negrito. Abaixo dele, coloco o resultado de hoje do Datafolha.

São Paulo

São Paulo apresenta um resultado aparentemente surpreendente, mas que tem lógica. Com a desistência de Netinho, que tinha 6% no último DataFolha, a tendência era que os candidatos mais conhecidos na periferia da cidade, onde se concentravam seus votos, crescessem. Dois deles tinham mais chances, Serra e Russomano. Haddad, Chalita e Soninha são pouco conhecidos nos bairros populares.

O que surpreende é que mesmo com a desistência de Netinho, Serra tenha variado negativamente um ponto. Ele tinha 31% em 25 de junho e agora tem 30%.

A análise que se pode fazer desse movimento é que a cidade não quer Serra prefeito. E que o tucano pode ter chegado ao seu teto. Ou seja, mesmo com a desistência de adversários, não cresce.

Outra questão importante é que na mesma pesquisa 40% dos eleitores dizem que tenderiam a votar num candidato indicado por Lula. Ou seja, Haddad tem ao menos este potencial de votos, porque Lula vai trabalhar intensamente pela sua candidatura. Por outro lado, 72% dos eleitores não votariam num candidato apoiado por Kassab. Isso pode levar Haddad a passar o tucano ainda no primeiro turno. É uma previsão arriscada, mas é algo que não surpreenderia. Basta que João Santana consiga colar Lula em Haddad e Serra em Kassab que isso pode se configurar. A ameaça de Haddad é alta rejeição do apoio de Maluf, 77%. Espera-se que o 1,5 minuto que o petista vai ter na TV seja suficiente para aliviar essa carga negativa chamada Maluf.

A candidatura de Russomano não deve ser desprezada, mas é preciso verificar em que patamar estará depois de duas semanas de horário eleitoral. A tendência é que Haddad cresça no eleitorado dele, que é o eleitorado de Lula.

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Outro ponto negativo para o tucano é seu índice de rejeição de Serra, 37%. Não chega a inviabilizá-lo para a disputa num segundo turno, mas é muito alto. Seu marqueteiro deve estar bastante preocupado.

Atualizando

A análise acima ainda está atual e os apontamentos realizados naquela ocasião sobre a possibilidade de Serra ser ultrapassado por Haddad ainda no primeiro turno se mostra quase natural no momento.

Na ocasião, disse que a candidatura Russomanno não poderia ser desprezada. E que depois de 15 dias de programa eleitoral era um bom momento para analisá-la. Hoje, ele é quase um nome certo no segundo turno. Há sinais de que parou de crescer e pode baixar um pouco mais. Se isso acontecer e Haddad crescer, Serra vai ter de atacá-lo mais fortemente. Neste caso, uma porcentagem dos que hoje afirmam votar em Russomanno na periferia podem migrar para Haddad. E na classe média alguns votos dele podem ir para Chalita.

Até por isso a situação de Serra é desesperadora. Ele vai ter muita dificuldade para atrair votos se vier a bater mais forte nos adversários. E ao mesmo tempo se não bater, não muda o quadro atual.

Seu índice de rejeição que era de 37% em 21 de julho, agora está em 46%. Nas zonas populares da cidade deve beirar os 60%.

Datafolha de hoje

Russomanno (PRB) – 32%
José Serra (PSDB) – 20%
Fernando Haddad (PT) – 17%
Gabriel Chalita (PMDB) – 8%
Soninha (PPS) – 5%
Paulinho da Força (PDT) – 1%
Carlos Giannazi (PSOL) – 1%
Em branco/nulo – 7%
Não sabe – 9%


Rio de Janeiro

Os 10% de Marcelo Freixo  (PSoL) contra os 54% de Eduardo Paes (PMDB) parecem uma enorme distância. E são. Mas levando em consideração que um tem o apoio de quase todos os partidos e é prefeito e o outro tem apenas um movimento de parte da sociedade civil a ampará-lo, é preciso ficar atento.

Freixo tem potencial de crescimento se utilizar seu pequeno tempo no horário eleitoral para enviar mensagens diretas e agudas, com soluções para problemas crônicos do Rio. E pode ganhar musculatura se nos debates conseguir encurralar o atual prefeito.

Em isso acontecendo, como o Rio que é uma cidade que permite ondas. Não surpreenderia que vivesse mais uma. E aí, Paes terá vida dura. Por ahora, é favoritíssimo.

Atualizando

Paes continua favoritíssimo e no mesmo patamar de julho, 54%. Dificilmente não vai levar no primeiro turno, mas Freixo já chegou aos 18%. O que é praticamente o dobro das intenções de voto que tinha ao final de julho.

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O problema de Freixo é que o filho de César não emplacou com nem a filha de Garotinho como vice. E ele dificilmente vai ter sozinho uma votação suficiente para provocar um segundo turno.

Datafolha de hoje:

Eduardo Paes (PMDB) – 54%
Marcelo Freixo (PSOL) – 18%
Rodrigo Maia (DEM) – 4%
Otavio Leite (PSDB) – 3%
Aspásia (PV) – 2%
Cyro Garcia (PSTU) – 1%
Fernando Siqueira (PPL) – Não atingiu 1%
Antonio Carlos (PCO) – Não atingiu 1%
Branco/nulo – 9%
Não sabe – 8%

Belo Horizonte

O atual prefeito Marcio Lacerda (PSB), apoiado por Aécio, tem 44%. O ex-ministro Patrus (PT), 27%. Para quem tinha uma eleição tranqüila, Lacerda abriu a guarda e passa a ter a renovação de seu mandato em risco.

Quem conhece Patrus sabe que ele é o mineiro típico. Daqueles que come pelas bordas e espera o centro do prato esfriar. O lançamento de sua candidatura saiu meio que atabalhoadamente, mas empolgou boa parte da cidade e dos movimentos sociais que estavam decepcionados com o PT.

Desde a gestão de Fernando Pimentel que parte da esquerda está em crise com os rumos da administração da cidade.

Se Patrus souber canalizar este sentimento de insatisfação para a sua candidatura, sua campanha crescerá nas ruas. Some-se a isso o fato de que a presidente Dilma agora está tratando da campanha de BH como uma de suas prioridades, a eleição por lá promete.

Atualizando

O quadro mudou muito pouco desde julho. Patrus perdeu o tempo de TV do PSD e isso prejudicou sua campanha. O efeito Lula e Dilma em BH parece não ter sido suficiente para aproximá-lo de Lacerda, mas ainda há jogo na capital mineira. Qualquer erro pode ser fatal. Lacerda ainda é favorito para levar no primeiro turno. Até porque um segundo turno em BH é muito improvável. Só há dois candidatos com votos na cidade.

Datafolha de hoje
Marcio Lacerda (PSB) — 49%

Patrus Ananias (PT) — 31%.
Vanessa Portugal (PSTU) – 2%
Maria da Consolação (PSOL), Tadeu Martins (PPL) e Alfredo Flister (PHS)  – 1%
Branco ou nulo – 8%
Indecisos – 9%.


Porto Alegre

O favoritismo já imaginado por este blogueiro da candidatura do atual prefeito, José Fortunati (PDT) está se confirmando. Ele abriu 8% em relação à deputada Manuela (PCdoB). Já o candidato petista Adão Villaverde corre o risco de ter o pior desempenho da história do partido. No momento tem apenas 3%.

O eleitorado brasileiro é conservador e um detentor de cargo executivo tem que se esforçar muito para não se reeleger. Fortunati não tem uma avaliação ruim e isso o coloca em boa situação para disputar novo mandato.

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Manuela terá de ser muito criativa para superar essa dificuldade. Para Villaverde, essas dificuldades parecem quase intransponíveis.

Atualizando 

Fortunati abriu ainda mais distância de Manuela e a candidatura de Villaverde não emplacou. Na análise de julho isso foi apontado como tendência. Se o atual prefeito tiver sangue frio e não errar, pode até levar no primeiro turno. Mas as chances de segundo turno ainda são grandes.

Datafolha de hoje

José Fortunati (PDT) – 41%
Manuela d´Ávila (PC do B) – 30%
Villa (PT) – 7%
Roberto Robaina (PSol) – 2%
Wambert di Lorenzo (PSDB), 1%
Erico Correa (PSTU), 1%;
Indecisos – 12%
Branco e nulo – 6%.

Recife

Com 35%, Humberto Costa (PT) está em primeiro, seguido pelo ex-governador Mendonça Filho, 22%. Mas quem parece ser o grande adversário do petista é Geraldo Júlio (PSB) que tem 7%, mas que com o apoio do governador Eduardo Campos deve crescer.

Se Geraldo Júlio passar para o segundo turno a eleição de Costa fica ameaçada. Se a disputa for com Mendonça Filho, suas chances são boas.

Muita gente está tratando a disputa de Recife como uma prévia da articulação para a disputa presidencial, mas quem conhece Eduardo Campos diz que sua primeira preocupação é com sua própria sucessão. Sua tese é de que se o PT viesse a reeleger o prefeito da capital iria tentar indicar um nome para disputar o governo.

Se isso era uma possibilidade com a disputa que se avizinha pela capital, agora é uma realidade. Vai ter pau na eleição de Pernambuco entre PSB e PT também em 2014.

Atualizando

Na análise de julho apontou-se que disputa possivelmente seria com Geraldo Júlio, que tinha 7%. A novidade da atual pesquisa é a candidatura do tucano Daniel Coelho cresceu muito e ameaça tirar Humberto Costa do segundo turno. A ocorrer isso, o PT pernambucano entraria numa crise terrível. Em fórmula 1 costuma-se dizer que chegar é uma coisa e passar é outra. Na corrida eleitoral, ao contrário. É muito difícil reverter uma tendência. E atualmente Daniel cresce e Humberto cai. Se nada for feito as linhas vão se encontrar e a colocação dos candidatos vai se alterar antes do dia 7 de outubro.

Datafolha de hoje:

Geraldo Julio (PSB) – 34% das intenções de voto
Humberto Costa (PT) – 23%
Daniel Coelho (PSDB) – 19%
Mendonça (DEM) – 8%
Edna Costa (PPL) – 1%
Esteves Jacinto (PRTB) – 1%
Roberto Numeriano (PCB) – 1%
Branco/nulo/nenhum – 6%
Não sabem – 7%


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