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22 de outubro de 2018, 11h44

Bolsonaro assume-se como ditador antes da vitória nas urnas

Bolsonaro assumiu antes mesmo da eleição o cargo de ditador. Ele não aceitará o resultado das urnas se perder no voto e vai colocar o país em chamas.

Ontem pela manhã a Revista Fórum foi um dos primeiros veículos a repercutir o vídeo de Eduardo Bolsonaro confrontando o Supremo e dizendo que não era necessário sequer um jipe para fechá-lo, bastando um soldado e um cabo.

A filmagem tinha alguns meses, mas começou a circular nas redes e ganhou força com a reprodução nos veículos progressistas, levando o ex-presidente FHC, entre outras personalidades, a se posicionar. Só depois disso os veículos tradicionais republicaram o vídeo.

A presidenta do TSE, Rosa Weber, em coletiva, teve oportunidade para cobrar uma explicação mais dura do fato, mas preferiu fazer de conta que tudo estava dentro da normalidade.

Bolsonaro ao ser indagado sobre o conteúdo da fala do seu filho, fez o habitual. Acusou a mídia de deturpá-la, mas guardou o melhor para o final da tarde.

Aos seus apoiadores que foram às ruas defender sua candidatura falou ao vivo por telefone como um incendiário.

E ao invés de tentar apagar as chamas das declarações do filho, jogou mais combustível na fogueira.

Não foi por acaso que disse que Lula e Haddad (que não está preso) iriam apodrecer no cárcere.

Que a Folha iria ficar sem um centavo de publicidade.

Que os opositores no seu futuro governo ou ficavam quietos e respeitavam a nova ordem ou iriam para a cadeia ou morar em outro país.

Bolsonaro assumiu antes mesmo da eleição o cargo de ditador. Ele não aceitará o resultado das urnas se perder no voto e vai colocar o país em chamas.

E se ganhar vai usar a sua popularidade para destruir todos aqueles que se insurgirem contra o seu projeto já nos primeiros meses.

A situação é extremamente delicada, mas não é incontornável.

É preciso derrotar Bolsonaro nas urnas e enfrentar com instrumentos necessários a crise que virá, criando um arco de defesa dos princípios constitucionais que inclua desde a direita democrática até o PSOL.

Um grande governo de coalizão.

Se acomodar, amedrontar ou desistir dessa batalha é a pior decisão. Porque aceita-se a liquidação do que nos foi mais caro construir desde o golpe de 64, a democracia.

É a todos que tombaram na luta pelo direito à palavra, ao voto, a liberdade de imprensa, ao respeito aos direitos humanos que não temos o direito à covardia. E nem à inação.

É por todos aqueles que sofrerão as agruras de uma ditadura Bolsonaro que os que defendem a democracia não podem mais ficar neutros.

Não existe neutralidade e muito menos ingenuidade possível depois da combinação dos vídeos de Bolsonaro e do seu filho amplamente divulgados no dia de ontem.

Quem tem dois dedos de consciência política sabe o que significam.

Sabe muito bem o que virá se o pior acontecer no domingo.

E na política, como no esporte, não existe derrota antecipada. Só perde por antecipação, quem se deixa derrotar.


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