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03 de novembro de 2018, 11h12

Bolsonaro sai das urnas do tamanho de Dilma em 2014

Os quase 61% que não embarcaram na canoa do capitão são força suficiente para desestabilizar seu governo se ele radicalizar e a democracia prevalecer.

O resultado que vem sendo difundido pela mídia de 55% para Bolsonaro e 45% para Haddad é o dos votos válidos e não é falso, mas não dá conta da complexidade das urnas nestas eleições de 2018.

Neste ano houve um aumento de 3% nos votos nulos, brancos e abstenções que elevaram este eleitorado que não escolheu nenhum candidato no segundo turno para quase 30%.

Segundo as contas do professor Marcio Pochmann, publicadas no seu perfil do Twitter, em 2014 Dilma teve 38,2%; Aécio, 35,7%; N/B/A, 26,1%.  Agora em 2018, esses índices foram de 39,3% para Bolsonaro; Haddad, 31,9%; N/B/A, 28,8%.

Ou seja, 60,7% do país não votou em Bolsonaro em 2018. Como 61,8% não havia votado em Dilma em 2014. Números muito parecidos e que apontariam para um governo que deveria buscar o diálogo com setores que o rejeitaram. Exatamente ao contrário do que Bolsonaro vem fazendo.

Esses quase 61% que não embarcaram na canoa do capitão são força suficiente para desestabilizar seu governo se ele radicalizar e a democracia prevalecer.

Acabo de publicar um texto em que digo que “depois da vitória do capitão, já começam a surgir análises de que seu governo não se sustentará por muito tempo. Que em seis meses estará desmoralizado. A chance de essa análise estar equivocada é tão grande quanto àquela que subestimou o seu potencial eleitoral”.

Isso precisa ser levado em conta para que a oposição a Bolsonaro não venha a ser feita sem a seriedade que o momento exige.

Mas também é verdade que se a radicalização à direita de Bolsonaro vier a levá-lo a perder uma parte de sua base de eleitores, como ocorreu com Dilma, seu governo pode se deteriorar rapidamente.

A situação de Bolsonaro é muito menos confortável do que parece e do que ele faz parecer. A análise dos dados eleitorais deixam isso claro.

PS: Outro dado interessante quando se olha os votos totais e não apenas os válidos é que a diferença de Bolsonaro para Haddad foi de 7% e não se 10%. Isso não muda em nada o resultado, mas permite verificar que a diferença entre os que escolheram as propostas de um e de outro no conjunto total do eleitorado é menor do que parece.


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