Blog do Rovai

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25 de agosto de 2010, 15h39

Confio muito mais no Kotscho e no Lula do que no Otavinho

Lula disse ontem que antes de ser presidente era discriminado por não falar inglês. E que isso teria acontecido, inclusive, numa visita que teria feito à Folha de S. Paulo. Como gosta de dizer Mino Carta, todo o mundo mineral sabe que isso é verdade.

Mas a Folha desmentiu o fato. E com uma declaração sempre muito “amistosa” do famoso Otavinho. Segundo ele, Lula ou “estaria com a memória ruim” ou “teria distorcido o episódio de propósito”.

Otavinho diz que não falou nada sobre inglês no episódio que resultou na saída de Lula da sede da empresa antes que o almoço que reunia o candidato terminasse.

Segundo a Folha ao ser indagado se tinha preparo intelectual para assumir o governo do país, Lula teria se recusado a responder.

Otavinho também disse que havia perguntado sobre a aliança partidária que apoiava a candidatura de Lula que ele classificara como “linha auxiliar do malufismo”. Segundo ele, isso é que teria levado Lula a ir embora do local.

Quando li essa reportagem da Folha me lembrei que no livro “Do Golpe ao Planalto”, Ricardo Kotscho tratara do episódio. Antes mesmo conseguir conferir o livro, o leitor do blog do Nassif, Der Steppenwolf, já publicava o trecho. Depois tem gente que desdenha a internet.

Pelo episódio da Ditabranda já dava para saber quem tem problema de memória. Ou melhor, que usa de memória seletiva. De qualquer jeito fale à pena ler o episódio narrado por Kotscho.

Trecho do capítulo: Rumo à Vitória 2000 – 2002 – página 225

“O único problema mais sério que tivemos no relacionamento com a imprensa ao longo da campanha aconteceu por culpa minha. Lula já havia mantido encontros e participado de almoços com os dirigentes dos principais meios de comunicação, mas resistia a atender ao convite da Folha para o tradicional almoço com os diretores, editores e repórteres especiais. Quase toda semana, “seu” Frias ou alguém a seu pedido repetia o convite, que eu voltava a levar a Lula. Este alegava que noutras ocasiões tinha ficado contrariado com a maneira pouco cortês como fora tratado no jornal. Tanto insisti, que ele acabou me autorizando a marcar o almoço. Impôs, no entanto, que o número de participantes fosse reduzido, para que pudesse conversar melhor com o “seu” Frias.

Em razão de algum mal-estar ocorrido em almoços anteriores, dos quais não participei, o clima já não pareceu muito amigável desde o momento em que “seu” Frias recebeu Lula e José Alencar. Otávio Frias Filho ficou calado, enquanto Lula não parava de falar dos seus planos para o país e da importância de ter um vice como Alencar. Assim que os comensais sentaram à mesa, Frias Filho disparou a primeira pergunta: se Lula se sentia em condições de governar o país, mesmo sem ter se preparado para isso, não sabendo nem falar inglês. O candidato fez uma expressão de incredulidade, olhou prá mim como quem diz: “E eu tinha que ouvir isso?”, engoliu em seco e deu uma resposta até tranqüila diante daquela situação constrangedora.

Como se tivessem sido ensaiadas, as perguntas seguiram no mesmo tom hostil ao convidado até que, já quase na hora em que seria servida a sobremesa, alguém quis saber como ele se sentia ao aceitar uma aliança com Paulo Maluf. O argumento era que, se o PL apoiava Maluf na eleição para governador de São Paulo, o candidato do PT a presidente também estaria se aliado ao político que mais combatera durante toda a história do partido. Não havia porém, nenhuma aliança em São Paulo entre o PP e o PT, que disputava a mesma eleição tendo como candidato o deputado federal José Genoíno. Foi a gota d’água. Lula não respondeu; levantou-se, dirigiu-se a “seu” Frias e comunicou: “O senhor me desculpe, mas não posso mais ficar aqui. Vou embora. Não posso aceitar isso, em nome da minha dignidade.”

Ficou todo mundo paralisado. “Seu” Frias levantou-se também. Antes de sair, Lula ainda disse a Otavinho, o único que permaneceu na sala:”Eu não tenho culpa se você está nervoso porque teu candidato vai mal nas pesquisas”. Para ele, a Folha estava apoiando José Serra. Pegando no braço do candidato, “seu” Frias o acompanhou até o elevador e depois até o carro, no estacionamento, com os outros todos caminhando atrás. “Nunca tinha acontecido isso antes na nossa casa”, lamentou.


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