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15 de março de 2018, 10h49

Marielle e o que eles querem de nós…

A execução de Marielle não pode servir apenas para aumentar a indignação dos nossos discursos ou para fazer grandes atos à beira mar vestidos de branco.

A execução de Marielle Franco e Anderson Gomes, motorista que a conduzia, é um salto no escuro. Uma tresloucada tentativa de construir um surto coletivo ainda não se sabe exatamente com qual finalidade.

Nessas horas é preciso reafirmar a luta, se deixar odiar os assassinos e seus mandantes, construir a resistência, mas também manter a cabeça, mesmo que explodindo, minimamente ligada ao cérebro e não ao fígado.

A pergunta que me faço é: o que querem de nós?

A execução de Marielle não pode servir apenas para aumentar a indignação dos nossos discursos ou para fazer grandes atos à beira mar vestidos de branco. Essa execução precisa nos reposicionar.
Fazer pensar que a resistência a este golpe assassino de vidas, projetos e futuro não será construída de forma individual ou fazendo contas eleitorais. Ela precisa ser coletiva e ampla. Buscando a maior unidade possível em todos os segmentos para resgatar condições democráticas que nos permitam enfrentar a barbárie.

A explosão de sentimentos deste momento nos induz a outras ações. A achar que a radicalização espontânea é que nos salvará. Nunca deu certo e novamente não dará. Pode parecer heroico e charmoso, mas tende a nos fazer repetir o salto no escuro dos assassinos e mandantes da execução de Marielle. Com a diferença de que eles sabem o porquê fazem isso.

É justo ter raiva, ódio e vontade de pular na garganta do seu vizinho que vai dizer no elevador que “essa vereadora era ligada ao tráfico” ou “quem defende bandido merece mais é isso”.
Sim, também vão tentar matar Marielle de novo a partir de hoje. Ela será apresentada como a construtora se sua própria morte.

E nós vamos ter que ter muito estômago, muita paciência, muita resiliência e fundamentalmente muita inteligência pra enfrentar o que já veio e o que virá.

Eles não querem só nos destruir. Eles querem acabar com qualquer possibilidade de que surjam flores neste deserto que eles estão plantando. E nós não podemos contribuir pra isso. O enterro de Marielle tem que nos ressuscitar. Seu corpo não somos nós. Sua energia pode vir a ser. Lutar é o que nos resta. Mas lutar com as armas que temos e não com as que não sabemos usar.


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