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13 de setembro de 2016, 13h28

Memórias de um Canalha

O livro de Eduardo Cunha ainda não tem sequer um parágrafo escrito, mas já encontrou seu título: Memórias de um Canalha.

Alguns podem achar que a inspiração guarda alguma relação com Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, ou mesmo com Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

Tudo bem que Cunha pode vir a terminar o seu trabalho literário do cárcere, mas o conteúdo não tem nada a ver com o de Graciliano. As prisões, então, menos ainda.

Já em relação ao texto de Manuel Antônio de Almeida, pode-se dizer, no mínimo, que Cunha não tem a poesia de Leonardo Pataca. E que a palavra “milícias”,  que faz parte do título, não tem nada a ver com as organizações cariocas que teriam ajudado Cunha em algumas de suas eleições.

Cunha, na verdade, diz que tem memória. E que suas memórias é que darão vida a obra que deve lançar em breve.

Como bom canalha, ele anunciou isso antes já como uma senha de ameaça, uma chantagem, a alguns daqueles que o deixaram no meio da estrada. Seus companheiros de governo e de Congresso.

O que virá? Difícil ainda saber.

Mas Cunha já parece ter escolhido alvos. O governo Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, Moreira Franco, que já foi seu alvo ontem, e, surpreendentemente, a Globo.

O livro é seu álibi para iniciar uma provável delação que ele só fará se sua família vier a ser incomodada pelo juiz Sérgio Moro, o que parece cada dia mais improvável, porque todos sabem que uma delação de Cunha teria potencial para destruir o combo PMDB-PSDB-DEM-Centrão.

E certamente respingaria também no judiciário. E muito provavelmente no STF.

Como bom canalha, Cunha vai calcular todos os lances futuros. Ele não deve sair atirando a esmo, como alguns imaginam. Mas também não vai ficar quieto, como outros desejam e fazem vazar pela mídia.

Alguns analistas estão, por exemplo, espalhando que o governo acha que terá mais tranquilidade no Congresso agora com a cassação de Cunha.

Quá, quá, quá…

Cunha será um fantasma, uma mula sem cabeça, um canalha a atormentar a vida daqueles que um dia precisaram dele e o traíram na noite de ontem.

Todos sabem disso, mas a ordem é fazer de conta que Cunha não existe. Nunca existiu.
Memórias de um Canalha tende a se tornar um best-seller. Até porque se Cunha falar de todos que ajudou e com quem operou nos últimos tempos, só para os citados ele venderia milhares de exemplares.


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