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04 de janeiro de 2015, 11h43

Mídia, tucanos e Eduardo Cunha elegem Berzoini como alvo

Eduardo Cunha com seus ataques abre caminho para uma campanha que buscará tornar o ministro das Comunicações no belzebu, no capeta, no cão chupando manga da censura petista

berzoini comunicaçãoEm todo começo de governo a oposição e a mídia escolhem um alvo para impor alguma derrota ao governo. Isso acontece repetidamente desde 2003. Não tem essa de lua de mel com governo petista. É porrada da cintura para baixo desde o primeiro dia.

Dessa vez a mídia e a oposição, que saiu fortalecida da disputa eleitoral, ainda contam com o deputado federal pelo PMDB do Rio de Janeiro, Eduardo Cunha, que fez campanha para Aécio Neves, disputa a presidência Câmara contra o governo, mas que não abre mão de indicar gente de sua confiança para cargos importantes em estatais.

Eduardo Cunha, que até os paralelepípedos das ruas do Rio de Janeiro conhecem muito bem, renderia matérias bastante suculentas na mídia tradicional. Mas isso não interessa às grandes corporações midiáticas no momento. Porque ele é o aliado da vez.

Na aprovação do Marco Civil, por exemplo, Cunha foi o principal opositor das propostas da sociedade civil. E o principal defensor dos interesses das teles. Agora, ataca o ministro Ricardo Berzoini para se tornar ainda mais o queridinho da mídia na disputa pela presidência da Câmara. Mas isso não é tudo. Cunha com seus ataques abre caminho para uma campanha que buscará tornar o ministro das Comunicações no belzebu, no capeta, no cão chupando manga da censura petista.

É essa a senha que foi dada tanto por ele, quanto pelo senador Aloysio Nunes Ferreira. Eles buscam desqualificar o debate e acuar o governo, mas farão isso dando nome e sobrenome ao perigo: Ricardo Berzoini.

O momento exige do ministro e da presidência Dilma muita tranquilidade. E mais do que isso, muita firmeza. Dilma tem que unificar o governo em torna desta pauta. Na posse da presidência já havia gente falando pelos cantos que tratar disso agora era arriscado e que não era hora de brigar com a Globo, por exemplo.

Nunca é hora de brigar com ninguém. A questão é que é hora de avançar no processo democrático brasileiro. E sempre quando movimentos dessa natureza precisam ser realizados, há interesses contrariados. Para se democratizar politicamente o país, os militares perderam espaço. Para democratizar as comunicações e garantir mais liberdade de expressão e de imprensa no país, vai ser necessário que alguns (não são todos) veículos percam algo. Aliás, a Globo já perdeu metade de sua audiência desde o início da década de 90 até hoje. E sem regulação alguma. Simplesmente porque o povo brasileiro tem achado que há coisa melhor pra fazer do que ficar assistindo seus programas de baixa qualidade. Aliás, falando em baixa qualidade vejam o que a Globo fez com o filme do Tim Maia ao transformá-lo em minissérie. Vejam o que o diretor do filme disse sobre a deturpação do seu trabalho. É também disso que falamos quando tratamos de monopólio e o que isso impõe à qualidade da comunicação.

A indicação de Berzoini para o ministério das Comunicações foi a escolha mais ousada de Dilma para o seu ministério. A oposição já se deu conta disso e a mídia tradicional também. Ou seja, eles vão fazer de tudo para derrotá-lo, para derrubá-lo.

O movimento sindical, o MST, os partidos de esquerda, a sociedade civil que atua no segmento e todos aqueles que lutam há décadas para tornar o Brasil ao menos um EUA ou uma Inglaterra no que diz respeito à legislação das comunicações, precisam impedir esse golpe.

Não se pode permitir que mais uma vez o debate sobre regramentos civilizatórios no setor mais importante de uma sociedade que hoje é informacional sejam silenciados. O governo não pode se deixar abater pela chantagem. Ao contrário, Dilma foi eleita com essa pauta. Em nenhum momento ela escapou do tema e sempre disse que se vencesse as eleições o Brasil iria discutir o marco regulatório das comunicações. Quem perde é que tem que acatar a decisão das urnas. O que está em jogo, aliás, é ela: a democracia. A Globo não pode ser tratada como dona do país.


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