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03 de agosto de 2018, 18h01

O fim melancólico da carreira política de Marta Suplicy

Marta achou que sozinha podia dar conta de tudo, que não precisava de ninguém. E agora fecha as portas do seu ciclo sozinha. Quase que abandonada. 

Marta Suplicy acaba de informar ao seu partido, o MDB, que não aceita ser vice de Henrique Meirelles e nem será mais candidata ao Senado por São Paulo. Ao mesmo tempo disse que se desfiliará da sigla.

É uma decisão surpreendente, mas ao mesmo tempo que faz todo o sentido.

Marta acabou politicamente quando decidiu deixar o PT e se filiar ao então PMDB numa solenidade ladeada por Eduardo Cunha e Michel Temer, que já estavam capitaneando o golpe contra uma presidenta da qual ela foi ministra.

Marta foi eleita senadora pelo PT num imenso esforço do partido. Sua vitória sobre Netinho de Paula (PCdoB) foi muito difícil e só ocorreu porque na última hora ela teve bem mais recursos que o seu adversário. E também por uma campanha contra ele envolvendo uma agressão a sua ex-esposa.

Antes disso, Marta teve todas as oportunidades. Foi deputada federal, candidata a governadora, prefeita, candidata a prefeitura de novo, ministra. Ou seja, contou com o partido para muitos dos desafios que se colocou.

Quando decidiu sair da sigla que a abrigou, não teve a tranquilidade de buscar não fazer barulho. Ao contrário, carnavalizou a decisão. E foi para o ataque.

Depois disso, aos poucos deixou tudo aquilo que a fazia diferente na cena política. Se tornou alguém sem charme, marca, pegada. Uma daquelas tantas mulheres e homens comuns da elite paulistana.

Saiu candidata a prefeitura de São Paulo na última eleição e ficou em quarto lugar. Um desastre. Não se reelegeria ao Senado. E como vice de Meirelles, passaria muita vergonha.

Encerra sua carreira política de maneira triste, porque fez um excelente primeiro mandato de deputada e foi uma ótima prefeita de São Paulo. Seu governo foi dos melhores da história da cidade.

Mas na política a vida é dura. E Marta achou que sozinha podia dar conta de tudo, que não precisava de ninguém. E agora fecha as portas do seu ciclo sozinha. Quase que abandonada.


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