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26 de agosto de 2016, 11h26

Os golpistas e o imaginário popular

Se também é verdade que quem vence consegue ter mais influência na construção daquilo que pode se consolidar como versão final, é ainda mais verdade que a vitória na história não é dada pelo seu resultado imediato.

Em algum lugar do futuro a fatura dos dias atuais será acertada. Não na base de uma prestação de contas honesta, onde os que erraram assumirão suas culpas. Mas pelo julgamento frio da história. Quando os desacertos talvez já tenham produzido danos irreversíveis para um projeto de país.

As narrativas da história refletem, é verdade, o balanço das lutas. Mas se também é verdade que quem vence consegue ter mais influência na construção daquilo que pode se consolidar como versão final, é ainda mais verdade que a vitória na história não é dada pelo seu resultado imediato.

No caso do julgamento do impeachment fica cada dia mais claro que o resultado do processo tende a ser da cassação da presidente eleita Dilma Roussef. Mas isso não significará uma vitória histórica dos algozes de hoje.

Os senadores, deputados, empresários, jornalistas e líderes do movimento já começam a ver refluir o que achavam que seria o lucro da conquista. Mas ainda acham que ao final poderão contabilizar lucros. Enganam-se.

Seus rostos já começam a ficar carimbados como de golpistas e suas biografias perdem verniz. Talvez não a de todos, mas a de vários.

Um caso emblemático é o do senador Cristovam Buarque, que a despeito de a cada dia que passa estar mais à direita do que no dia anterior, ainda preservava um certo respeito dos setores progressistas. Preservava…

Cristovam hoje é apenas um golpista a mais. Alguém que fez firula para se posicionar e com isso ampliou seus tentáculos no governo Temer.

Ou seja, que fez o que qualquer político oportunista faria.

O acerto de contas com pessoas com o perfil de Cristovam, que iniciaram sua trajetória na esquerda e no campo popular, será duro.

Porque o governo Temer não é apenas golpista por estar derrotando o voto de 54 milhões de eleitores num processo parlamentar intoxicado e repleto de manipulações. Mas também porque vai tocar uma agenda que não foi aprovada nas urnas e que se fosse discutida pela população não seria vitoriosa. Um agenda ultra-neoliberal.

E por isso quem está com Temer hoje fazendo cálculos de curto prazo só tem a ganhar no futuro se o seu projeto for radicalmente neoliberal. E se o seu eleitor também o for.

Não há como ganhar votos no campo popular com um governo que tem por objetivo aumentar a idade mínima na Previdência Social, fazer uma reforma trabalhista que deve cortar direitos como férias e 13o salário e que já caminha no sentido de vender estatais e dar de bandeja o Pré-Sal.

Um governo desses se consolidará rapidamente como golpista no imaginário popular. E o imaginário popular não perdoa golpistas.

Essa história está muito mais escrita do que a vitória opaca que os que votarão no impeachment tendem a conquistar nos próximos dias.


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