Blog do Rovai

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
16 de dezembro de 2014, 15h41

Pesquisa CGI: Gestão Paulo Bernardo fez Brasil ficar para trás em proporção de conectados

Em 2010, o Brasil ocupava o quarto lugar em proporção de conectados na América do Sul e estava praticamente empatado com os primeiros, Chile Argentina e Uruguai. De 2010 para cá, o Brasil despencou. Hoje é o sexto em proporção de conectados no continente e foi ultrapassado por Venezuela e Colômbia.

Paulo Bernardo e o blogueiro Enio Barroso, no 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Na ocasião, o ministro prometeu banda larga de 1Mbs a um custo de R$ 35 mensais (Foto: Augusto Coelho/RBA)

Paulo Bernardo e o blogueiro Enio Barroso, no 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em 2011. Na ocasião, o ministro prometeu banda larga de 1Mbs a um custo de R$ 35 mensais (Foto: Augusto Coelho/RBA)

Na sociedade informacional um dos indicativos que permitem avaliar quanto um país está se preparando para não perder o pé de mudanças estruturais, tanto do ponto de vista produtivo e científico, quanto cultural e educativo, é a porcentagem da população que está conectada à internet. Há muitos outros, mas este permite entender o quanto a sociedade está envolvida com as novas formas de relacionamento, negócios, processos etc.

A Coréia do Sul costuma ser utilizada como exemplo nesta área. Em 2007, 99% da população já tinha acesso à banda larga. No Brasil, segundo a mais recente pesquisa do Comitê Gestor da Internet, em 2013, apenas 51% da população tinha acesso à rede mundial. E desses só 66% à banda larga.

Comparado com a Coréia, os dados brasileiros são pífios. Mas sua tragédia não é fruto do acaso, mas de uma política desastrada que teve seu ápice no quadriênio que está se encerrando e que teve à frente do ministério das Comunicações, o petista paranaense Paulo Bernardo.

Em 2010, o Brasil tinha um Plano Nacional de Banda Larga que iria ser implementado com o fortalecimento da Telebras. O plano previa levar acesso de qualidade a uma boa parte do país que era ignorada pelas teles e ainda tinha por objetivo incentivar a indústria nacional do setor. Com a chegada de Dilma à presidência e Bernardo às Comunicações, o plano foi jogado no lixo e se transformou num arremedo onde conexões de 1 mega seriam vendidas a 35 reais. Nem isso nunca funcionou.

O resultado pode ser observado agora nos resultados da última pesquisa do CGI. Em 2010, o Brasil ocupava o quarto lugar em proporção de conectados na América do Sul e estava praticamente empatado com os primeiros, Chile Argentina e Uruguai. De 2010 para cá, o Brasil despencou. Hoje é o sexto em proporção de conectados no continente e foi ultrapassado por Venezuela e Colômbia. E está numa posição distante, por exemplo, do Chile que tinha 45% de conectados em 2010 (o Brasil tinha 41%) e que hoje chegou em 67%.

banda larga

Ao mesmo tempo que retardou a conexão o desastre das políticas aplicadas por Paulo Bernardo permitiram às teles cobrar um dos preços mais altos do mundo por megabite no Brasil. Segundo pesquisa do professor Samy Dana, da FGV, o valor cobrado aqui é praticamente 100 vezes maior do que o do Japão, 50 vezes mais caro do que na Coréia do Sul e 8 vezes maior do que na Holanda.

E a pesquisa do CGI também aponta isso, que a maior parte dos brasileiros que não estão conectados tem o preço do serviço como maior impedimento.

O resultado é que na Classe A, 97% da população tem acesso a Internet e na classe B, 78%. Ja na Classe C o índice cai para 49%. E nas classes D e E despenca para 17%. Ou seja, na Classe A temos índices sul-coreanos de conexão. Nas classes D e E, estamos próximos ao Quênia e outros países africanos.

A opção pelo mercado e com pouca participação do Estado vigente no Brasil está sendo responsável pelo aprofundamento das desigualdades sociais. E vai ter impactos futuros bastante relevantes. Não se faz um Brasil mais justo olhando-se apenas para trás. É preciso olhar pra frente. E o que está à frente é a sociedade do conhecimento que poderia melhorar nossa educação, produção científica, negócios e mesmo a saúde. Há experiências excepcionais de atendimentos clínicos à distância para algumas especialidades tendo a banda larga como instrumento de aproximação entre paciente e médico.

Num momento em que Dilma discute quem deve ser o novo ministro das Comunicações, seria muito interessante que essa pesquisa do CGI fosse levada em consideração. O ministério das Comunicações numa sociedade informacional não é para amadores. E nem para entreguistas.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum