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20 de fevereiro de 2015, 00h17

Por que Haddad é favorito para a sua reeleição

Mesmo quem não está disposto a votar em Haddad, não tem raiva dele e não o rejeita enquanto pessoa, diferentemente do que ocorreu com Marta Suplicy em 2004. E isso é fundamental na disputa.

haddad

 

O governo do prefeito Fernando Haddad patina em baixas avaliações desde junho de 2013, quando ele foi surpreendido pelas manifestações de rua e de alguma forma também foi responsável pelo seu crescimento a partir de São Paulo. Haddad lidou muito mal com aquele movimento e terminou ao lado de Alckmin vendo-o anunciar a redução do preço das passagens, algo que ele já poderia ter feito alguns dias antes.

Aquele erro foi fruto de uma avaliação conservadora do que ocorria e por conta de uma análise ancorada em contextos muito distintos dos atuais. Mas isso não faz e não fez de Haddad um político conservador. Muito pelo contrário, sua gestão é altamente progressista e de alto risco pelas ações corretas e necessárias que resolveu enfrentar.

É possível listar de memória algumas delas:

1)      Enfrentou a máfia do ISS sem pestanejar e colocou uma barreira para minar a corrupção crônica no sistema de fiscalização da Prefeitura de São Paulo;

2)      Criou o Braços Abertos a partir de uma política humana e não violenta de tratamento dos usuários de drogas que ocupavam o território do centro da cidade antes conhecido por Cracolândia. E está apresentando resultados muito melhores do que os outros prefeitos e também que governadores tucanos ao lidar com a questão;

3)      Está enfrentando o problema da mobilidade da cidade construindo corredores para ônibus e faixas para ciclovias. Exceto o governo de Marta Suplicy todos os outros seguiram receita contrária, apenas investiram em pontes, viadutos e novas avenidas;

4)      Deixou de lado a criminalização da ocupação de espaços públicos e isso está tornando, por exemplo, o Carnaval de São Paulo em algo vibrante. O que parecia impossível aconteceu neste ano, muita gente não viajou para fora da cidade para brincar Carnaval na cidade;

5)      Criou um programa para permitir que travestis possam estudar. Não é uma atitude corajosa apenas, mas de uma sensibilidade fantástica;

6)      Concedeu passe livre aos estudantes de escolas públicas e a estudantes carentes em geral;

7)      Está enfrentando os problemas da Habitação sem os habituais despejos violentos, buscando conversar com os movimentos e acaba de criar uma lista pública da ordem dos inscritos nos programas;

8)      Reorganizou as finanças públicas mesmo em anos ruins de PIB e conseguiu criar um caixa que vai lhe permitir fazer investimentos importantes nessa reta final do governo;

9)      Decidiu reestatizar as garagens municipais de ônibus o que pode levar à reorganização do sistema de transporte, algo urgente e necessário;

10)   Está municipalizando áreas como o Clube Tietê e parte do Clube do Joquéi e isso vai garantir novos espaços para atividades culturais e esportivas, principalmente para moradores da periferia. No Tietê, por exemplo, shows de rap e de funk já levaram milhares de pessoas a um local que antes era frequentado por poucos.

11)   Conseguiu aprovar um novo Plano Diretor na cidade e não se rendeu aos interesses do setor imobiliário, mas soube conversar e construir consensos;

12)   Está implantando o maior programa de wi-fi grátis em dezenas de praças públicas de São Paulo;

 

Vou parar em 12 pontos para não ser acusado de petismo se por acaso vier a acrescentar mais um. É fato que essas ações isoladas não levam ninguém a ganhar eleição, mas combinadas com a imagem de uma pessoa séria e que faz política sem rancor  e ódio tem tudo para reencantar uma boa parte da cidade.

Haddad mostrou isso na entrevista realizada na Jovem Pan, ele está preparado para o bom combate. Agora só não pode errar nos detalhes. E como sua maior votação foi na periferia e lá que ele tem que tocar bumbo e priorizar  nesta reta final de governo.

Como isso parece mais do que óbvio, este blogueiro assume o risco de dizer que a reeleição de Haddad por mais difícil que possa parecer neste momento, é algo absolutamente possível.

Mesmo quem não está disposto a votar em Haddad, não tem raiva dele e não o rejeita enquanto pessoa, diferentemente do que ocorreu com Marta Suplicy em 2004. E isso é fundamental na disputa. Haddad poderá ir para a campanha fazendo política e debatendo a cidade. Não terá de ficar se defendendo o tempo todo.

É também por isso que este blogueiro aposta seus dois reais que estão investidos em ações da Petrobras na sua vitória. E que acha que quem for com muita sede ao pote achando que o prefeito é carta fora do baralho, vai ter uma grande surpresa.

O governo de Haddad tem consistência e isso conta muito numa disputa. Até porque, o eleitor, amigos, é tudo, menos bobo.


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