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18 de dezembro de 2012, 01h08

PT tem dois candidatos, Marina está no do jogo e Aécio não tem discurso

A pesquisa Datafolha que foi publicada no domingo e que o leitor já deve ter tido acesso, permite algumas considerações. A elas:

a) O PT tem dois candidatos fortes para disputar a próxima eleição. Lula ou Dilma são praticamente imbatíveis. Em qualquer cenário tem mais de 50% dos votos. Isso é o que enlouquece a oposição. De 2002 a 2010 o PT tinha só um candidato forte. Em 2014 terá dois.

b) Marina Silva, apesar de ter tido um desempenho estranho nessas eleições municipais, que de alguma forma serviu como um recado de que ela não se dispõe a fazer campanha para os outros, tem um discurso com um potencial de votos bastante alto. Marina Silva não tem partido, mas tem discurso. Ela pode vir a formar um partido com relativa facildade, porque tem um movimento espontâneo a lhe sustentar. E pode vir a construi-lo de um jeito a dar ainda mais consistência a seu discurso. Entre outras coisas, Marina já teria adiantado que seu partido não vai aceitar contribuições de empresas. Isso poderia ser um fato novo para a campanha com potencial, até, de torná-la um Obama tupiniquim. Erra quem despreza Marina.

c) Aécio Neves é a antítese de Marina. Mesmo sendo do maior partido de oposição, Aécio não tem discurso. O PSDB nos 10 anos de PT no governo não conseguiu construir propostas com capacidade de sedução. Ao contrário, briga com o óbvio. Quando Dilma anuncia que pretende diminuir a conta de luz, eles tentam boicotar o projeto. Ou seja, Aécio só está na casa dos 10% por causa de Minas. Se ele fosse de um estado menor, seus índices rivalizariam com os de Eduardo Campos.

d) Eduardo Campos ainda não é um candidato e nem parece que pode vir a ser um candidato para empolgar em 2014. Mas se quiser disputar com chances em 2018, terá de arrumar um jeito de sair candidato agora, mesmo correndo o risco de ter uns 5% dos votos. Ele terá de fazer uma campanha para acumular, não para ganhar. Foi o que fez Chalita para a prefeitura de São Paulo. Se cacifou para ser candidato a senador, a vice ou a governador em 2014. Eduardo sabe que não poderá ficar na sombra em 2014. Se sair candidato a senador, não ganhará projeção nacional. E ele precisa disso. Ao mesmo tempo, seu partido sabe que a candidatura presidencial dele pode atrapalhar projetos locais. A base de Dilma pode vir a se articular para derrotar o PSB em estados do Nordeste, por exemplo.

e) Joaquim Barbosa só será candidato por um partido meio bizarro, o que o desmoralizaria completamente. Nenhum legenda com tempo razoável de TV ou com alguma históra lhe abriria as portas. Talvez só o DEM. Que não deixa de ser um partido meio bizarro.

f) A reeleição de Dilma se decide no primeiro semestre de 2013. Se a economia voltar a crescer é quase certo que essa curva virtuosa vá permaner em 2014. E aí, já era para a oposição. Caso não, sinal amarelo. Esse pode vir a ser o seu calcanhar de aquiles. Imaginem Aécio, Eduardo Campos e Marina juntos num discurso para desconstruir a imagem de boa gestora de Dilma. Com a economia crescendo a 1% esse discurso pode ficar forte. Com 4% ou mais, bobabem. Dilma tirará de letra.

Ou seja, passada a eleição municipal, a eleição presidencial se incia. Sempre foi assim, não será diferente agora.


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