Blog do Rovai

30 de agosto de 2016, 00h18

Quase 14h de Dilma e uma defesa histórica para inspirar a resistência

Dilma cometeu erros políticos, mas não é uma criminosa moral. E esse que pode ter sido seu epílogo no poder foi uma aula magna de decência.

A presidenta Dilma começou a falar no Senado às 9h53 e terminou às 23h47. Quase 14h de uma defesa memorável que vai se tornar uma peça de estudos por muitos e muitos anos.

Uma defesa que já seria histórica se fosse algo mais ou menos razoável, mas não foi só. Foi um show. Um show de coragem, de dignidade e de respeito à biografia e à democracia.

Não é pouco ter dignidade para defender a biografia. No universo da política as pessoas trocam suas biografias por qualquer trocado.

Entre aqueles que vão ser os juízes de Dilma não são poucos os que se lixam para o que vai ser dito sobre eles.

Há ali no Senado, por exemplo, gente, como o senador Romero Jucá que foi pego em gravação conspirando para acabar com o governo Dilma e a Lava Jato.

Há também lá o senador Perrela, que teve um helicóptero apreendido com 450 quilos de cocaína, mas que tem coragem de chamar pedaladas de crime.

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Ou ainda pessoas do quilate de Aécio Neves, que de tão delatado é considerado como aquele que seria o “primeiro a ser comido” pela Lava Jato, na feliz expressão do ex-senador Sérgio Machado.

Há também traidores covardes, como senadora Marta, ou traidores dissimulados, como Cristovam.

Nenhum desses está preocupado com a sua biografia.

Até porque alguns nunca tiveram e outros decidiram rasgá-las sem dó.

Mas Dilma, não. Ela respeita a sua biografia.

E só aceitou a condição de ser interrogada por 14 horas porque sabia que precisava defender também as instituições e o processo democrático.

E porque sabe que o golpe que está próximo de acontecer não pode se dar sem resistência. Sem sinais de resistência. Sem uma clara mensagem de futuro.

E Dilma deixou hoje, no dia 30 de agosto de 2016, uma clara mensagem.

Não se entregue, não desista, não seja covarde, seja leal e tenha dignidade.

E essa mensagem poderia e deveria pautar as lutas futuras da esquerda brasileira.

Dilma cometeu erros políticos, mas não é uma criminosa moral.

E esse que pode ter sido seu epílogo no poder foi uma aula magna de decência.

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