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13 de maio de 2015, 10h28

Um governo procurando Fachin

Muitas perguntas se repetiram como se esperassem do réu (digo, candidato a ministro do Supremo) alguma contradição. Um deslize. Aquela resposta mal colocada que inviabilizasse seu nome.

O blogueiro bem que tentou, mas não conseguiu acompanhar toda a sabatina de Fachin. Entre outros motivos, porque ela com suas 12 horas ininterruptas mais pareceu a um interrogatório policial. Ou nas palavras um tanto quanto exageradas do senador Omar Aziz (PSD-AM), uma sessão de tortura.

Muitas perguntas se repetiram como se esperassem do réu (digo, candidato a ministro do Supremo) alguma contradição. Um deslize. Aquela resposta mal colocada que inviabilizasse seu nome.

E Fachin foi driblando as cascas de banana como se lidasse com amadores. De forma muito educada, mas ao mesmo tempo altiva.

Sem se deixar intimidar.

Fez uma média básica. Afinal, era isso que os senadores queriam para poder aparecer bem na fita da Globonews. E bola pra frente.

Depois de umas duas horas assistindo ao interrogatório (digo, sabatina) comecei a me perguntar, mas por que raios a presidente Dilma fez tanto charme para indicar esse cara se tanta gente diz que ele é bom e mesmo a oposição não tem coragem de desancar o sujeito.

Essa é uma pergunta que não quer calar no peito pobre deste insignificante blogueiro.

E o pior, a resposta parece ser a mesma que vem me deixando cismado com o Dilma II. A presidenta mudou de mandato, mas o governo parece o mesmo. Com um detalhe, neste seu começo de mandato os índices de popularidade não são de 65%, mas de menos de 20%.

Dilma e seus ministros parecem olhar por cima de tudo como se não precisassem de nada. E de ninguém. E por isso Dilma sentou em cima dessa indicação, preferindo correr o risco, inclusive, de deixá-la para Aécio.

Não fosse assim, há uns 8 ou 10 meses ela teria conversado com Renan, Sarney e outros líderes do Congresso e os chamaria para um mate com o professor de legislação do Paraná.

Conversaria com Lewandoviski e outros ministros do STF e ainda ouviria alguns bons juristas e que sempre têm lhe tratado com respeito, como Bandeira de Mello e Dalmo Dallari. Enfim, faria um pouco de política. E botava o nome de Fachin na mesa.

Até porque o paranaense não surgiu do nada. Ele já fora cogitado em outros momentos. Não seria um candidato surpresa ou coisa do gênero.

Mas pra que facilitar se é possível complicar.

E o pior é que esse parece ser o lema de muitos ministros. Há uma crise econômica, fato. Há uma crise política, fato. Mas há uma crise de líderes também.

Dilma tem culpa neste cartório. Mas ao mesmo tempo ela tem um bando de homens do seu lado que até agora não mostraram exatamente para que vieram. Quase ninguém anunciou nada de relevante. Quase ninguém tem matado a bola no peito e chamado a responsabilidade. Quase ninguém tem criado facilidades para ela.

Todo mundo parece estar acorrentado ao resmungo das dificuldades econômicas e da crise.

E depois reclamar do Joaquim Levy.

Mas dessa forma ele só tem a ganhar, porque, do seu jeito, vai mostrando serviço.

O fato é que até este momento o governo parece estar procurando Fachin. Como Dilma, que ficou quase 1 ano pra indicá-lo ao cargo.

Tomara que a aprovação de Fachin que parece se avizinhar no Senado seja uma virada de página. E que algumas das boas cabeças que estão por Brasília e que ainda não apareceram nesses primeiros meses, saiam da toca.

Isso já é muito mais do que necessário. É imprescindível.

Guardar posição é coisa pra jogador brucutu.

 

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado


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