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01 de julho de 2015, 11h27

A vitória do não à maioridade penal não acabou ontem

Ontem foi dia de vitória, hoje é dia de analisar os detalhes daquele jogo para não ser surpreendido pelo adversário. Os reacionários, liderados por Cunha, estão com a planilha de votos na mão tentando reverter meia dúzia deles.

O não à redução da maioridade penal, mesmo que por milimétricos cinco votos, foi algo muito importante para colocar um pé na porta do conservadorismo.

Há ainda riscos de que o projeto original volte à pauta, afinal, estamos em tempos de reinado de Eduardo Cunha, mas cada dia com sua agonia.

Ontem foi dia de vitória, hoje é dia de analisar os detalhes daquele jogo para não ser surpreendido pelo adversário. Os reacionários, liderados por Cunha, estão com a planilha de votos na mão tentando reverter meia dúzia deles.

A sociedade civil tem que fazer o mesmo e ir pra cima de cada voto.

Weliton Fernandes Prado – foi o único deputado, dos 61 do PT, partido, registre-se, que entregou o maior número de votos contra o projeto, que votou a favor do 171. Apesar de desconhecido nacionalmente, ele é de uma família de políticos e foi um dos mais votados em Minas na última eleição. O PT precisa tomar uma decisão dura em relação ao seu voto. Se fizer vistas grossas, abrirá a porteira para novas deserções.

Penna e o PV – Elogiei o presidente do PV ontem no Twitter, pelo seu discurso firme e duro em relação ao encaminhamento do voto da sua bancada pelo não ao projeto. Eis que apesar de o PV ter sido fundamental na rejeição ao 171, com quatro votos contrários, o deputado das longas madeixas acabou votando junto com a bancada da bala. O que aconteceu? Quem vai conversar com o deputado e cobrar um pingo de coerência dele?

PMDB – 17 deputados do partido, incluindo Jarbas Vasconcelos (PE), votaram contra o projeto. Eles serão ultra-pressionados por Eduardo Cunha para mudar seu voto se algo de novo nesta linha vier a ser votado. A sociedade civil tem que conversar com eles e buscar dialogar com outros do campo mais progressista do partido.

PSDB – Dos 51 deputados, só 5 votaram não. Um vexame. Incluem-se entre outros votos o de Bruno Covas, neto do Mário, que foi um dos que lutou bravamente na Constituinte contra o Centrão e todo o seu conservadorismo. Há gente séria da sociedade civil próxima ao PSDB que é contra a diminuição da maioridade penal. Esse pessoal precisa ser convencido a se posicionar firmemente contra o que aconteceu ontem.

PDT , PPS, PROS e PHS – Boa parte dos deputados desses partidos votaram não ao 171 e não podem ser ignorados na hora de celebrar a vitória. É preciso ampliar a relação com cada um deles na articulação para impedir que o projeto volte e seja aprovado.

PCdoB e PSOL – Foram os únicos partidos que deram todos os seus votos pelo não ao projeto, incluindo o Cabo Daciolo, que foi expulso do PSOL e acompanhou o partido no não. Além disso, ajudaram muito na mobilização de ontem. As bases desses partidos precisam aproveitar essa vitória para ampliar suas ações.

Movimento Sindical – Na mobilização de ontem senti falta do movimento sindical. O distanciamento dos sindicatos de um debate como esse é péssimo. Era dia pros presidentes das centrais estarem juntos com os jovens nas galerias. Não dá mais para ficar apenas nas pautas corporativas e trabalhistas.

Juventude militante – Quando a juventude que milita pega uma causa ela ainda faz muito barulho. É preciso valorizar mais essa galera e dar cada vez mais protagonismo a essas novas vozes. Ontem, eles foram parte importantíssima da vitória.

Foto: Mídia Ninja


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