Bolsonaro pode não ir ao 2º turno, mas isso é muito improvável

Bolsonaro está mais frágil do que nunca, mas ainda forte o suficiente para disputar a presidência e até vencer a eleição se não vier a ter adversários populares à sua altura.

A 8ª Pesquisa Fórum, realizada de 12 a 16 de março, registrou que Bolsonaro tinha 26,9% de ótimo o bom. O Datafolha produzido nos mesmos dias próximos apontou 30% de ótimo e bom. O levantamento do XP-Ipespe divulgado ontem praticamente crava os resultados da Pesquisa Fórum, com 27% de ótimo e bom.

Por que estou trazendo à baila esses dados? Porque mesmo em queda Bolsonaro ainda tem num momento muito ruim do seu governo três em cada 10 brasileiros que acham que seu governo (pasmem!) é ótimo ou bom. E uma quantidade ainda maior de pessoas, quando perguntada se aprova ou desaprova, em geral, sempre um número acima de 40%.

Isso não lhe garante tranquilidade para ganhar as eleições de 2022, mas ao mesmo tempo não o coloca como carta fora do baralho ou no risco de ficar fora do segundo turno. Bolsonaro ainda é um líder com muitos votos e apoios mesmo com 4 mil mortes/dia no país e uma crise econômica sem precedentes na história recente.

Se neste cenário Bolsonaro tem 26,9% de ótimo e bom na Pesquisa Fórum, qual será o seu apoio em 2022 se a pandemia tiver saído do seu pior momento, boa parte do país estiver vacinado e a o crescimento estiver na faixa de 5%, 6% ou mais? Será que Bolsonaro terá esses mesmo índices, terá melhorado ou piorado?

Se este blogueiro puder fazer uma aposta, a tendência é que seus números sofram uma piora nos próximos meses, que Bolsonaro possa ir até uns 20% de ótimo e bom, mas que ele consiga se recuperar em 2022 voltando aos patamares atuais ou até a patamares um pouco melhores a depender do que estiver acontecendo na economia e de quanto a pandemia estiver resolvida. Não tenham dúvida de que se a vida estiver um pouco melhor (e isso não é difícil) ele vai disputar o sucesso desta melhora.

Por este motivo, o Brasil precisa de Lula candidato a presidente da República. Porque Bolsonaro não é um cachorro morto e precisa de um adversário que tenha apelo popular. Engana-se redondamente quem acha que sem Lula no páreo qualquer um derrota o genocida no 2º turno. Não é isso que indicam os números atuais das pesquisas e nem o que os cenários prováveis do futuro nos permitem arriscar. Devagar com o andor que o santo é de barro. E Bolsonaro não é um defunto presidente. Ele ainda tem a caneta e a possibilidade de endurecer o jogo.

Bolsonaro está mais frágil do que nunca, mas ainda forte o suficiente para disputar a presidência e até vencer a eleição se não vier a ter adversários populares à sua altura.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.

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