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09 de novembro de 2019, 11h40

Bom dia, presidente Lula

Tem um Brasil para muito além do PT e dos partidos progressistas, talvez algo próximo daqueles 87% que um dia avaliaram seu governo como ótimo e bom, querendo que seu retorno faça com que algumas coisas entrem nos eixos

Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Meu caro Lula, que dia ontem, né? Fico imaginando como deve estar sua cabeça. Depois de 580 dias poder voltar a ver os amigos e celebrar a liberdade. Só isso já deve ter sido sensacional. Mas foi mais. Em todos os cantos do país houve celebração pela sua saída daquele cárcere que nunca deveria ter lhe abrigado. Mesmo pessoas que nunca votaram em você comemoram.

Só pra ter uma ideia, reproduzo a mensagem que uma prima me mandou:

Boa noite primo.

Ver Lula livre, apesar de nunca ter militado pela esquerda (e sim, muitas vezes coxinha assumida – viuvinha de Mário Covas) dá um alento à alma, um impulso para voltar a acreditar num Brasil mais justo e humano e sim, um sabor de vingança que esperei desde o dia em que o “inominável” deu seu sim ao processo de impeachment da presidente Dilma (que sempre considerei insano).
Meu abraço, não tão vermelho, mas cheio de felicidade porque as mudanças estão apenas começando.
Eu acredito em dias melhores!!!!

Ela não foi a única. Muitos amigos de centro e de direita se disseram felizes de vê-lo saindo daquele cárcere no qual nunca deveria ter entrado.

Mas por que lhe escrevo isso? Por que percebi na noite de ontem que a sua responsabilidade na volta à cena política é muito maior ainda do que eu já imaginava.

Tem um Brasil para muito além do PT e dos partidos progressistas, talvez algo próximo daqueles 87% que um dia avaliaram seu governo como ótimo e bom, querendo que seu retorno faça com que algumas coisas entrem nos eixos.

Um sentimento difuso ainda, mas importante.

Sabe também por que lhe digo isso, por que ontem não vi ninguém batendo panela para protestar contra sua liberdade. Não vi ninguém dando piti nas ruas. Não senti aquele mal humor do dia em que o Rogério Favreto lhe concedeu a liberdade que não veio.

Isso quer dizer que tá todo mundo feliz e sorrindo? Que a paz e o amor voltaram aos quatro cantos do país?

Evidente que não.

Aliás, uma coisa que percebo é que no povão aquele papo de corrupção do PT como a maior da história da humanidade já não cola mais. Boa parte das pessoas mais simples percebeu que este não é o problema. Que a vida delas piorou desde que o PT saiu do governo federal.

Mas ao mesmo tempo há muita gente que atribui a crise econômica atual ao partido e aos rumos do governo Dilma.

Sem querer ensinar o macaco a comer banana, é preciso dialogar mais sobre isso. Ser propositivo, me parece.

Mas por que digo isso? Por que tô aqui escrevendo sobre conjecturas da política? Porque devo ser um dos muitos que está bastante preocupado com o futuro deste nosso país.

Tá ruim demais o rumo atual. Estamos caminhando para um cenário de terra arrasada e de muita violência. E se o resultado disso não é bom para quem tá mais pra baixo na pirâmide social, ele é péssimo para a democracia. Abre espaço para todo tipo de loucura.

E é aí que entra, o que me parece ser a partir de agora, o seu papel central.

Há uma imensa necessidade de se colocar o diálogo no centro da política. É preciso reconstruir a lógica dos adversários e derrotar o conceito de inimigos.

Não podemos mais aceitar o jogo do bolsonarismo, ele só interessa a quem sabe chafurdar na lama.

E eu sei que ninguém precisa dizer isso para o senhor. Mas então por que cargas d’água estou escrevendo este texto.

Porque acho que esta reflexão deve estar no centro das atenções de muitos de nós que defendemos a justiça social e a democracia. Desculpe o trocadilho, mas como se pode fazer deste Lula Livre uma caipirinha?

Como tornar esta sua liberdade numa linha no chão para retomar as conversas sobre o Brasil e sobre uma nova forma de fazer política? Como trazer jovens pra esses debates? Como impedir que alianças contra o fascismo sejam o centro de programas pra ganhar eleições com novas lideranças? Como reavivar e reabilitar o compromisso púbico e coletivo?

Que dureza, né? O senhor nem deu uns beijos direito na Janja e já tem um mala listando coisas que lhe parecem pertinentes pensar.

Mas é que me emocionei com a foto do senhor com o Zé Dirceu e com os inúmeros relatos que vi nas redes sociais de festas por sua liberdade no país inteiro. Acho que tem uma coisa aí que pode dar um caldo.

Tem um país querendo voltar a sorrir. E a gente não pode perder essa oportunidade.

Bom final de semana, presidente Lula.

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