Catástrofe de Manaus tem potencial para começar a derrubar Bolsonaro

A popularidade de Bolsonaro pode estar sofrendo neste momento o maior ataque especulativo desde que assumiu o governo. Se institutos começarem a demonstrar isso em números nos próximos dias, a oposição terá força para alavancar a tese do impeachment

O que está acontecendo nas redes por conta da crise humanitária que vive Manaus, que não tem oxigênio para socorrer vítimas de Covid, é algo só comparado com a tempestade perfeita que levou ao impeachment de Dilma Rousseff.

Bolsonaro está sendo engolido por essa crise por ter tratado tudo que diz respeito à pandemia como uma gripezinha e sem o caráter de urgência que a situação estabelece.

Influenciadores, artistas, políticos já começam a pedir o fim do governo sem a menor cerimônia.

Ontem o ex-ministro Ciro Gomes pediu impeachment e cadeia para Bolsonaro e Pazuello. Hoje pela manhã o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, sugeriu a criação de um placar do impeachment pra mostrar que deputados estão a favor ou contra a iniciativa.

O ex-ministro José Dirceu em mensagem enviada aos seus contatos no whatsapp diz que é “hora de derrotar via impeachment Bolsonaro convocando a Câmara e o Senado, mobilizando as oposições, firmando um pedido de pauta do impeachment”.

Rodrigo Maia que ficou sentado em mais de 50 pedidos de impeachment, sinalizou durante a semana que ele pode se tornar uma realidade. E ontem à noite postou: “A falta de oxigênio em Manaus, o atraso na vacina, a falta de coordenação com estados e municípios são resultado da agenda negacionista que muitas lideranças promovem”. Uma indireta mais do que direta.

Ao mesmo tempo que essas mensagens vão tornando o clima mais quente, começa a ser convocado nas redes um panelaço para hoje às 20h30 contra Bolsonaro e por oxigênio para Manaus. Luciano Huck é um dos que tuitaram puxando o soar das panelas.

As previsões são de que a situação vivida na capital do Amazonas pode vir a se repetir em outras capitais do país. E por absoluta falta de responsabilidade do ministério da Saúde e da presidência da República essa tragédia pode se tornar imensa. Já que o governo se atrasou na busca por vacinas e não fez campanhas para motivar o distanciamento social.

Em relação a Manaus, por exemplo, Bolsonaro praticamente obrigou com pressão nas redes o governador do Estado do Amazonas a impedir o lockdown na capital. Essa decisão foi devastadora e contribuiu sobremaneira para o que está acontecendo.

Manaus pode ser o ponto de inflexão na mudança de humor de significativa parte da população que ainda tinha Bolsonaro como um governante “regular”, a despeito de seu governo bizarro.

Com o aumento da pressão pelo impeachment, uma boa parte deste segmento pode migrar para o ruim e péssimo. E uma parcela daqueles que ainda vem o governo como bom, tendem a migrar para o regular.

A popularidade de Bolsonaro pode estar sofrendo neste momento o maior ataque especulativo desde que assumiu o governo.

Se institutos começarem a demonstrar isso em números nos próximos dias, a oposição terá força para alavancar a tese do impeachment.

Pode ser o começo da definição do dia D e da hora H para o fim deste governo.

Bolsonaro foi conquistando inimigos e adversários neste período que está à frente do país. E a conta pode vir a ser cobrada agora por muitos deles, entre elas pela Globo, que se quiser pode montar uma cobertura especial desde Manaus para mostrar o descalabro da situação.

Os próximos dias dirão muito sobre o futuro do país. E o que parecia algo quase impossível, um impeachment de Bolsonaro, pode se tornar algo concreto.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.

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