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15 de setembro de 2019, 12h48

Ciro Gomes se auto-destruiu neste último ataque covarde à Márcia Tiburi

Ciro Gomes decidiu-se pelo esculhambo, pela grosseria mais vil, pelo cuspe na cara daqueles que o defenderam e que não concordam com esse seu novo estilo. Ciro está se lixando para quem, mesmo não concordando com muitas de suas posições, sempre o respeitou. Ele quer novos amigos.

Não acho Ciro Gomes um coronel, como alguns gostam de denominá-lo. O fato de ter iniciado sua carreira política no PDS, e não na Arena, como maldosamente divulga-se, diz muito pouco sobre sua história.

Ele foi filiado ao partido na eleição de 1982, quando o regime militar, num pacote golpista, impôs o voto vinculado. Era necessário votar de vereador a governador no mesmo partido. Nos estados do Nordeste, o PDS, partido que sucedeu a Arena,  era forte. E seu pai, que tinha vínculos com o partido, convenceu-o a ser candidato a deputado estadual pela legenda.

Naquele momento, Ciro Gomes era um menino. E em 1983, já se filiava ao PMDB e iniciava sua parceria com Tasso Jereissati, a quem viria suceder no governo do Estado do Ceará.

Depois foi para o PSDB e teve a coragem de romper com Fernando Henrique Cardoso durante o seu primeiro governo. Ciro Gomes dizia naquele momento que o câmbio supervalorizado ia quebrar o país, o que ocorreu, e que era preciso investir na produção.

Desde este momento, sua posição política sempre esteve em conexão com o campo progressista.

Ciro nunca foi um trabalhista, como hoje alguns tentam torná-lo. Nunca teve grande proximidade com Brizola, como também tentam fazer crer. Mas sempre foi um social democrata sincero.

Alguém que não tem medo de ir sindicatos, acampamentos de sem terra, a favelas, de conversar com o povo. Ciro há mais de 25 anos ao menos faz política voltando-se para as bases populares.

Mas Ciro não é exatamente um politico popular, a despeito de talvez ser um dos que mais conheça o Brasil e sua gente.

Dito isto, Ciro Gomes saiu da última eleição presidencial completamente fora da caixinha, como se diz na gíria atual. Surtou e está colocando em risco tudo o que construiu de pontes com pessoas e movimentos que o admiram. Está se isolando entre fanáticos que passam boa parte do seu tempo atacando Lula, Haddad e o PT. E acaba fazendo o mesmo para poder ser endeusado por eles.

É um rodopio ao lugar nenhum que encontrou seu ápice na entrevista que concedeu à BBC, onde, como de costume, ataca de maneira absolutamente grosseira Lula e Haddad, mas também separa um discurso cafajeste para Márcia Tiburi, filósofa que foi candidata ao governo do estado do Rio de Janeiro e que hoje está exilada por contas das ameaças de morte que sofreu.

Por que Ciro Gomes fez isso? Por que precisava atacar de forma tão vil Márcia Tiburi? Provavelmente porque entende que isso o torna mais confiável a uma parcela da direita que vê em pessoas que tem a coragem de Jean Wyllys e Márcia Tiburi para propor debates necessários, mas polêmicos, os vilões do país. E talvez por imaginar que atacando uma dessas pessoas ficaria deboas com esta gente ogra. Com essa gente fanática.

É uma coisa que parece sem sentido, mas que na cabeça de Ciro Gomes talvez guarde relação com algo que imagine possa leva-lo à presidência da República. Ciro talvez pense em criar um novo centro, algo mais direitoso, mas com pinta de novo. Engana-se redondamente. A elite odeia Ciro Gomes. E este papel já está reservado para João Doria, Amoedo e Luciano Huck.

Suas chances para atingir seu objetivo de vida se encontram exatamente em ser um político que estimule a criação de pontes no campo progressista. Que fale para dentro e para fora do Lulismo. Que busque ouvir empresários e sem terra. Que respeite pessoas como Márcia Tiburi, mas que também ouça os pastores que não estão no gangsterismo de Bolsonaro.

Mas Ciro decidiu pelo esculhambo, pela grosseria mais vil, pelo cuspe na cara daqueles que o defenderam e que não concordam com esse seu novo estilo. Ciro está se lixando para quem, mesmo não concordando com muitas de suas posições, sempre o respeitou. Ele quer novos amigos.

E por isso, Ciro Gomes está construindo seu ocaso. Não haverá depois deste episódio de ataque vil a Marcia Tiburi muito o que ele possa fazer para voltar a se tornar alguém respeitado entre uma classe média progressista na economia e nos costumes que o que o respeitava. Porque essas pessoas viram neste episódio um político baixo, um ser humano desprezível. Alguém que não pensou que aquela que ele atacava vive hoje em condição terrível porque ousou disputar uma eleição num estado dominado por milicianos.

É fato que nunca é tarde para pedir perdão. E seria muito bom se Ciro Gomes fizesse isso. Mas não esperem isso dele. Infelizmente, mesmo não sendo um coronel ele costuma agir como tal quando comete este tipo de agressão injusta e indefensável.

 


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