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08 de dezembro de 2019, 13h01

Datafolha: Bolsonaro não tem o que comemorar com essa nova pesquisa, porque estamos em dezembro….

A pesquisa foi feita nos dias 5 e 6 de dezembro. Em novembro e dezembro as pessoas recebem o 13º, se ampliam as contratações no comércio e entra-se na vibe de que o ano que vem será melhor, o tal espírito natalino melhora o humor.

A pesquisa Datafolha de hoje está meio-copo. O que significa que pode ser olhada pela parte cheia ou vazia. A depender do observador, as notícias são ótimas ou péssimas para o governo Bolsonaro. Nem tanto ao mar e nem tanto à terra.

Não houve mudança na sua avaliação de agosto para cá. A pequena melhora está na margem de erro. Uma queda de 38% para 36% no ruim e péssimo.

Ao mesmo tempo sua avaliação de abril ou de julho, as das outras duas pesquisas Datafolha realizadas neste ano, eram melhores. O ruim e péssimo somados eram de 30% e 33%.

Em relação a outras perguntas segmentadas também as oscilações foram pequenas. Com exceção da percepção de combate à corrupção. Neste quesito, o seu desempenho caiu de 34% para 29%. Enquanto isso, subiu de 44% para 50% a reprovação ao governo nessa área.

Esta é uma péssima notícia para Bolsonaro, porque é exatamente isso que ainda segura o avanço de Lula e do PT nas pesquisas. Uma parte substancial da população atribui à crise econômica “a corrupção dos tempos do PT”.

Mesmo depois de 3 anos do partido fora do governo, o escândalo do tal petrolão é o que lhe corrói a imagem.

Bolsonaro ganhou a eleição montado neste cavalo. E ao chamar Moro para o seu governo, colocou esta pauta como central. E hoje tem exatamente os mesmos números de sua aprovação geral aos que aprovam seu governo neste quesito 30 e 29%. Ou seja, se algum escândalo maior vier a lhe atingir, tudo indica que sua aprovação despencará junto.

Outra questão fundamental para alavancar ou derrubar popularidade é a economia. No próprio Datafolha a melhora da aprovação de Bolsonaro na margem de erro é atribuída ao tal pibinho. Duvido que seja exatamente isso. Uma parte pode ter relação com o discurso midiático otimista do pibinho, mas o que parece mais relevante é a sensação de melhora que tem relação com a época do ano.

A pesquisa foi feita nos dias 5 e 6 de dezembro. Em novembro e dezembro as pessoas recebem o 13º, se ampliam as contratações no comércio e entra-se na vibe de que o ano que vem será melhor, o tal espírito natalino melhora o humor. Quando janeiro chega, entram nas contas o IPVA, IPTU, cartão de crédito do Natal etc, o comércio demite boa parte dos seus extras e tudo volta ao “normal”.

Ou seja, a tendência é que a economia não volte a crescer à altura do otimismo atual e isso deve derrubar a aprovação de Bolsonaro lá pra março, abril.

Se ele vier a cair para patamares abaixo dos 25% sua situação ficará de alto risco tanto para o caso de um movimento pró-impeachment quanto para sair muito menor das eleições de 2020.

Por outro lado, evidente que se ele vier a crescer para 35% de ótimo e bom, por exemplo, seu céu pode vir a se tornar de brigadeiro.

O cenário atual, porém, indica que a primeira hipótese, olhando o copo pela metade, é a mais provável. O copo do bolsonarismo não voltou a encher com esses 2% de melhora. Ele fez um movimento mínimo que parece guardar mais relação com a época do ano. Com o otimismo relacionado a uma melhora que não tem a ver com algo que vá perdurar quando janeiro chegar.

Bolsonaro ainda não colapsou, mas sua popularidade não é algo que lhe permita tantas ousadias como tem feito. Por isso, não será surpreendente se em abril ou maio sua situação política estiver bem pior do que agora. O mês bom para avaliar retratos da política nunca foi dezembro. É de março a maio que o jogo fica mais claro.


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