Datafolha mostra Bolsonaro resiliente e terceira via micada; Lula parece ter batido no teto

O roteiro do presidente, mesmo que venha a perder a reeleição, é o de manter sua família como um partido político, na linha dos Fujimori e dos Le Pen

A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (17), não traz grandes novidades, mas reforça análises que já vinham sendo feitas por este blogueiro, que só existe uma chance de tirar Bolsonaro da disputa pela sua reeleição, sua cassação.

Não vai haver impeachment, porque o atual presidente se mantém com índices se aprovação acima de 20%. O que é pouco, mas suficiente pra que se garanta no cargo. Dilma e Collor quando caíram tinham menos de 10%. E também porque, diferente desses dois, Bolsonaro costurou no modo toma lá da cá uma eficiente base de apoio no Congresso.

E a hipótese de Bolsonaro não disputar a reeleição é algo fora de cogitação na cabeça do mito. O roteiro dele, mesmo que venha a perder em 2022, é o de manter sua família como um partido político, na linha dos Fujimori e dos Le Pen. Ele tem pra isso o 01, 02, 03 e 04. Sem contar a “fraquejada” e a dona Michele que ainda podem se animar a também entrar na política. Mesmo perdendo para Lula, a familiocracia Bolsonaro continuaria viva para se manter disputando cargos em alto escalão.

E a pesquisa Datafolha mostra que eles terão força para isso. No primeiro turno, a depender do candidato da terceira via, Bolsonaro oscila entre 25% e 26% dos votos totais. O que é mais do que 30% dos válidos. Haddad foi ao segundo turno de 2018 com 29% dos válidos. Com este índice, no que parece ser o pior momento do seu governo, Bolsonaro estaria garantido no segundo turno com folga.

E como está no governo, o presidente poderá mexer o vento a seu favor se a falta de chuvas e um possível apagão não atrapalharem muito. Um Bolsa Família de 300 reais pode permitir a ele que reanime uma parcela do setor popular mais conservador a voltar à sua jangadinha. Isso não pode ser desprezado. Para quem recebe R$ 190 por mês passar a receber R$ 300 não é algo desprezível.

Para que isso aconteça, o capitão terá que furar o teto de gastos ou contar com o Congresso para lhe permitir não pagar os precatórios neste momento.

Mas, quem tem o baralho na mão para entregar as cartas em relação a isso ainda é o governo. Se se mantiver operando calado por algum tempo, Bolsonaro conseguirá resolver esse problema que pode vir a lhe render uma boa quantidade de votos lá na frente.

Lula por outro lado parece ter batido no seu teto eleitoral, algo em torno de 45% dos votos totais o que lhe deixaria na margem de erro para liquidar a fatura no primeiro turno.

Publicidade

É algo grandioso, mas ao mesmo tempo é como aquele caminhão que precisa carregar uma imensa quantidade de melancias. A depender do estado da estrada, algumas podem se perder pelo caminho. Lula tem que cuidar muito bem de como equilibrar uma direção firme até outubro de 2022 para não perder parte do que já amealhou de intenção de votos.

Em relação à terceira via, ela parece ser mais um sonho da mídia tradicional e de seus analistas bem pagos do que uma realidade. A bem da verdade, já existem ao menos duas vias consolidadas dentro deste espaço: Ciro Gomes e uma candidatura do PSDB que tende ser a de Dória. Ambas sofrem de inanição. As outras que se insinuam para a tarefa, se mostram mais raquíticas ainda.

Publicidade

Com Lula e Bolsonaro nos patamares que se mantêm fica muito difícil crescer até grama neste pedaço de terra.

Ainda falta muito tempo para outubro de 2022, mas já não é também tanto tempo assim. Temos um ano para a eleição e uns seis meses no máximo para quem quiser bailar já entrar com tudo na pista.

Avatar de Renato Rovai

Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.

Você pode estar junto nesta luta

Fórum é um dos meios de comunicação mais importantes da história da mídia alternativa brasileira e latino-americana. Fazemos jornalismo há 20 anos com compromisso social. Nascemos no Fórum Social Mundial de 2001. Somos parte da resistência contra o neoliberalismo. Você pode fazer parte desta história apoiando nosso jornalismo.

APOIAR