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24 de setembro de 2019, 08h56

Dino ocupa o espaço de Ciro Gomes e se constrói como alternativa à esquerda

Dino parece não querer ser o candidato sem Lula, mas pode vir a sê-lo se conseguir ocupar o vácuo que Ciro Gomes criou quando foi passar o segundo turno em Paris. Algo que Dino, de forma acertada, fez questão de criticar

Flavio Dino no Roda Viva (Reprodução)

O Roda Viva de ontem teve no seu centro o governador do Maranhão Flávio Dino, que já vinha sendo apontado por muitos militantes de esquerda como uma alternativa à presidência da República.

Dino não decepcionou. Durante as duas horas do programa não perdeu a tranquilidade em nenhum segundo e com seu jeito simples e sintaxe prolixa cativou os entrevistadores. A bancada se rendeu à Dino.

Mesmo no momento em que foi mais apertado, quando a jornalista da BBC trouxe à tona uma desapropriação polêmica ocorrida no seu estado, saiu -se bem. Não piscou. Não foi arrogante. Não pareceu se incomodar com o questionamento.

Mas isso não surpreende quem o conhece. Há tempos que vejo em Dino um dos quadros políticos mais completos dessa geração intermediária. Essa geração nascida no começo da ditadura militar. Por sinal, a minha.

Ele tem cultura, experiência política e administrativa, não é arrogante (ao contrário) e está sempre disposto ao diálogo. Tem virtudes necessárias para o momento atual.

Mas, ontem me chamou a atenção, algo que já tinha no radar. Dino avança de maneira avassaladora no eleitorado de Ciro Gomes. E começa a se construir como alternativa ao petismo, mas com o petismo.

Dino citou a vitória de Eduardo Campos em Pernambuco num dado momento da entrevista. Ele falava de disputas com ou sem o PT. E lembrou também da sua vitória. Mas, a que vale pra essa hipótese é a de Campos, que construiu uma alternativa ao PT e à candidatura no estado, passou raspando para o segundo turno tirando Humberto Costa. E depois foi o vitorioso. Mas não brigou com o PT.

Dino parece não querer ser o candidato sem Lula, mas pode vir a sê-lo se conseguir ocupar o vácuo que Ciro Gomes criou quando foi passar o segundo turno em Paris. Algo que Dino, de forma acertada, fez questão de criticar. Claro, na sua gramática. Sem estigmatizar. Sem deixar faíscas voarem.

Para consolidar seu voo ao Planalto, ele precisa, antes de mais nada, se manter bem avaliado no seu estado. E isso também passa por eleger um aliado em São Luís e em boa parte das cidades do interior. Mas, também precisa decidir logo se vai continuar no PCdoB ou se partirá, por exemplo, para o PSB. Até para que possa ocupar espaços já com este projeto resolvido durante as eleições de 2020.

Num primeiro momento, o que fica claro é que o papel que Ciro Gomes podia ter adotado, está sendo realizado com extrema competência pela novidade que vem do Maranhão.

Ainda é cedo para dizer mais do que isso. Mas há um novo presidenciável na praça. Que passou com louvor no seu primeiro teste nacional na noite de ontem.


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