sábado, 24 out 2020
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E se o Trump morrer…

Qual é o cidadão mais poderoso do planeta? Qual tem as condições para fazer o tratamento mais avançado em relação a qualquer doença? Qual pode investir o que for necessário para salvar a própria vida?

Donald Trump, evidentemente.

Exatamente ele, o presidente da maior potência do mundo, se encontra num hospital militar infectado por Covid-19 e com um diagnóstico que exige muitos cuidados.

Trump que, como seu fantoche tupiniquim, divulgava a cloroquina como o milagre químico para a doença, agora se trata com um coquetel de medicamentos que não inclui o remédio.

Trump que fazia comícios sem máscaras e com grandes aglomerações de abestados também sem máscaras, agora corre risco de vida exatamente por ter contraído o coronavírus.

Tudo isso por si só já renderia um roteiro de uma série eletrizante, onde o presidente da maior potência do mundo estaria sendo monitorado por uma imensa junta de médicos enquanto disputa a sua reeleição.

Mas e se Trump morrer?

Essa é a pergunta que milhões de pessoas devem estar se fazendo tanto nos EUA quanto em outras partes do planeta.

Antes de buscar entender o que pode acontecer com o mundo, vamos voltar uma casa e buscar responder àqueles que acham que o presidente americano pode estar fazendo jogo de cena e que na verdade ele não tem o coronavírus. Que inventou essa história pra se vitimizar e se esconder de futuros debates.

Bobagem sem fim.

No debate com Joe Biden o atual presidente ficou se gabando da sua saúde e por várias vezes tentou descredibilizar seu oponente exatamente nesse aspecto.

Ao mesmo tempo disse que o coronavírus já era coisa do passado e que a vacina seria lançada ainda em novembro.

Depois de dizer tudo isso, ter contraído a doença é como fazer um gol contra de bicicleta. Um gol pra encerrar a carreira.

E é isso que pode estar em jogo.

Afinal, neste domingo o calendário marca 4 de outubro. A eleição americana é no dia 3 de novembro. Faltam apenas 29 dias para a eleição e nas pesquisas Trump tem aproximadamente 7% de desvantagem em relação a Biden. Sendo que nos estados decisivos para a contagem de delegados está atrás em sua imensa maioria. A Flórida, onde está em empate técnico, é que lhe deixa ainda um fio de esperança para reverter o jogo.

Mesmo que a doença não lhe tire a vida ou lhe debilite muito, sua recuperação se vier a ser rápida, deve lhe devolver à campanha lá pelo dia 20 de outubro. Quanto faltarão apenas duas semanas para a votação.

Para um candidato que tem negado os efeitos do coronavírus, ter de ficar sem fazer campanha na reta final, esse é o pior cenário. Ou seja, não existe qualquer vantagem para que Trump inventasse uma situação dessas. Por isso, essa teoria da conspiração só é uma teoria tresloucada. Como muitas que florejam na internet.

Mas e se Trump morrer?

Isso não é uma teoria da conspiração e muito menos um desejo. Mas uma das possibilidades colocadas para uma pessoa de 74 anos, obesa e com algumas comorbidades conhecidas.

Se isso acontecer, o planeta tende a virar de ponta cabeça e tudo pode ocorrer tanto em relação à forma como estamos lidando até agora com o coronavírus quanto com a própria eleição dos EUA. A heroificação de Trump pode fazer com que Mike Pence, que provavelmente seria seu substituto, ganhasse muitos eleitores e se se tornasse seu sucessor embalado numa campanha apenas emocional.

Desde Robert Kennedy que um presidente americano não morre no exercício do cargo. E quando isso ocorreu o mundo parou. E o morto se tornou um magnânimo herói.

Mesmo com todas as circunstâncias diferentes, isso também pode acontecer em relação a Trump. Por isso, nada melhor para o mundo e para aqueles que lhe são opositores, que o coronavírus perca essa guerra contra os antivírus do presidente americano. E que ele possa voltar à disputa contra Biden nos próximos dias.

Porque se Trump morrer o Sobrenatural de Almeida pode entrar em campo. Sem isso, o presidente americano caminha para uma derrota quase inevitável em 3 de novembro. Uma derrota que pode ter resultados ainda mais largos do que os analistas projetam hoje.

Que Trump continue vivo, para assistir ao seu enterro político.

Renato Rovai
Renato Rovai
Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.