Blog do Rovai

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11 de fevereiro de 2020, 22h30

Era preciso a repórter branca ter tentado dar para o negão…

O involucro da história, o papel de presente com laço e o bilhete era o sexo, o assédio, o desejo daquela mulher.

De repente a história surge como se fosse um conto de realismo fantástico, uma obra de Cortazar, algo que não parece fazer muito sentido. A repórter da Folha de S. Paulo, Patrícia Campos Mello, que denunciou o esquema de disseminação de fake por whats app na campanha de Bolsonaro era acusada por Hans River do Rio Nascimento, testemunha arrolada na CPMI das Fake News e que havia sido sua principal fonte, de ter falsificado informações. Mais do que isso, Patrícia teria, segundo o “negão do Whatsapp”, apelido que Hans River ganhou no momento seguinte às acusações que fez, se insinuado para ele. Sendo mais direto, Hans disse que ela teria buscado trocar a reportagem por sexo.

A trupe bolsonarista começou a divulgar coisas do tipo: o furo que a Patrícia queria dar não era jornalístico, era outro.

Enfim, todo tipo de piada nojenta, abjeta, misógina e ao mesmo tempo racista ganhou as redes em questão de minutos. Só um momento para um parêntese. Há, sim, racismo nessa história. Porque o que combina com negão é pau grande. É a virilidade. Não a inteligência, a cultura e a educação. O negão é o objeto sexual que precisa ser combatido pelo branco, porque ele sempre é uma ameaça às mulheres brancas. O negão é o estuprador. Que fez com que os jovens de Os Olhos que Condenam (assistam ao filme) passassem tantos anos na cadeia. Mas também, no fetiche masculino hétero, é o objeto da tara feminina. Das mulheres brancas. E por isso os homens brancos combatem tanto os negros. Medo inconsciente de perder suas mulheres para eles.

Os fascistas do governo podem parecer idiotas, mas não são. Eles precisam esconder o cadáver de Adriano da Nobrega e essa história veio a calhar. A narrativa do negão que teria sido assediado pela repórter branca foi mamão com açúcar.

Porque cabia a Hans River assumir a condição de vítima e atacar sem dó. E ao fazê-lo transformaria todo o trabalho jornalístico da repórter e do veículo que ela é vinculada numa imensa fraude. Nada mais valeria, apenas a piada. A narrativa da moça que quis o furo para dar um furo.

No domingo, você vai almoçar com a família e certamente algum dos seus parentes vai estar repetindo isso. E vai dizer que aquela jornalista imoral foi desmascarada.

Pronto, amigos, eles mantiverem a torcida empolgada para essa e para próximas batalhas.

Talvez você se pergunte, mas como derrotar isso? O que é isso? Dando nome aos bois: fascismo.

O fascismo sempre usou a mentira, a difamação, a confusão e o absurdo como seus aliados táticos. Para produzir histórias que não se sustentam, mas que podem ser divulgadas pela força imagética e circunstancial que têm.

Por isso, o negão teria que ter sido assediado pela repórter branca. Sem isso, tudo o que Hans River tivesse falado na CPMI de nada valeria. Não circularia.

O invólucro da história, o papel de presente com laço e o bilhete era o sexo, o assédio, o desejo daquela mulher.

A Folha já fez matéria desmentindo. A conversa entre Patrícia e Hans River já está circulando (com bloqueio para não assinantes, diga-se), mas isso de pouco valerá. A bolha bolsonarista já tem a sua verdade. Eles têm certeza que a safada da repórter queria dar para o negão.

E só serão convencidos de que isso é mentira no dia que a Folha deixar de fortalecer o governo Bolsonaro apoiando sua política econômica.

Porque se a economia de fato vier a se recuperar, o Brasil será por muitos e muitos anos refém desse fascismo canhestro.

O Brasil terá muitos ministros do STF que divulgarão esses ataques, como o fez hoje o filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro. E terá um Congresso só de gente assim, porque a oposição será varrida.

O governo Bolsonaro é inimigo da verdade e da democracia. Precisa ser derrotado em toda sua dimensão. E a culpa de tudo isso que estamos vivendo não é do negão Hans River. Ele é só mais um objeto lúdico desta farsa.


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